Embrapa mapeia nematoides na cultura de algodão na Bahia

Segundo maior produtor nacional, o estado tem sofrido perdas de produtividade por causa do parasita

13/03/2018 12:47:00

Atualizado:

16/03/2018 17:05:53

 

A Embrapa, em parceria com a Fundação Bahia e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), com financiamento do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), está fazendo um levantamento da presença de nematoides no oeste da Bahia, que concentra 94% da produção de algodão do estado. Segundo a Embrapa, o objetivo do estudo é quantificar e mapear a ocorrência desses parasitas associados ao algodoeiro e avaliar as melhores técnicas de manejo para contornar o problema. 

Segundo maior produtor nacional de algodão, com 200 mil hectares de área plantada na última safra, a Bahia tem sofrido perdas de produtividade por causa da presença de nematoides no solo. Os parasitas atacam as raízes das plantas e prejudicam a absorção de água e nutrientes. Os produtores normalmente não sabem que os nematoides estão na lavoura porque os sintomas da planta afetada se confundem com deficiências nutricionais, compactação ou encharcamento do solo. A Embrapa estima que esses vermes microscópicos do solo causem perdas de 12% da produção à agricultura no mundo. No Brasil, estima-se prejuízos anuais de R$ 35 bilhões, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN).

As espécies com maior importância econômica no algodoeiro, de acordo com a Embrapa, são: nematoide de galhas (Meloidogyne incognita)nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) e nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus). Elas têm uma ampla gama de hospedeiros, podendo infectar tanto plantas daninhas quanto as culturas usadas nos sistemas de sucessão ou rotação de culturas, a exemplo da soja, do milho e do feijão.

Tamanho do problema

O fitopatologista da Embrapa Algodão Fabiano Perina, que coordena a pesquisa, acredita que o conhecimento e a quantificação das espécies de nematoides predominantes é primordial para o planejamento de medidas de manejo. “Apesar da sua importância econômica, pouco se sabia sobre a real dimensão do problema dos nematoides na região oeste da Bahia e, menos ainda, sobre a sua distribuição em áreas produtoras de algodão. A carência dessas informações dificulta o manejo e possibilita a ocorrência de surtos repentinos, uma vez que os sintomas do ataque de nematoides só aparecem quando há altas densidades populacionais, momento em que a produtividade da cultura já foi drasticamente reduzida”, explica.

Na safra 2016-2017, foram realizadas amostragens em 120 mil hectares de áreas com cultivo de algodoeiro comercial no oeste da Bahia, distribuídas em 52 fazendas de oito municípios. A pesquisa segue na safra 2017-2018, com a meta de realizar amostragens em 200 mil hectares até a colheita da safra. Além de amostras nematológicas, em cada talhão estão sendo coletadas amostras para análise de fertilidade, física do solo, fitopatológicas, variabilidade genética e agressividade de certas espécies de nematoides, além de dados sobre o sistema de cultivo (sistema convencional ou plantio direto, irrigado ou sequeiro) e o histórico da área. Esses dados estão sendo analisados por pesquisadores de três Unidades de pesquisa da Embrapa: Embrapa Algodão, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Embrapa Instrumentação, além da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB).

Espécies mais encontradas

De acordo com os resultados obtidos até o momento, o nematoide das lesões radiculares foi encontrado com maior incidência e distribuição espacial, diagnosticado em 70% das amostras, seguido do nematoide de galhas, presente em 47% das amostras e do nematoide reniforme, que apresentou incidência de 15%.

Perina relata que os resultados obtidos no diagnóstico de nematoides nesta primeira etapa do estudo indicam que entre as espécies diagnosticadas, o nematoide de galhas é a espécie que apresenta maior risco de perdas para o cultivo do algodoeiro no Oeste da Bahia, seguido pelo nematoide reniforme. “Apesar de estar presente na maioria das áreas de cultivo, o nematoide das lesões radiculares não aparenta ter relação direta com perdas na produtividade do algodoeiro. Entretanto, deve se ter cautela com o aumento populacional dessa espécie, tendo em vista a sua predominância nas áreas de produção e sua relevância quando associado a outras espécies de nematoides e patógenos de solo”, adverte.

Práticas de manejo

Em paralelo ao levantamento, foram instaladas três unidades demonstrativas em municípios baianos, duas em Barreiras e uma em São Desidério, com técnicas de manejo de nematoides. Foram avaliadas técnicas culturais, químicas e biológicas de controle de nematoides, aplicadas de forma isolada ou integradas. Entre as técnicas testadas estão: tratamentos de sementes; rotação de culturas visando o plantio de algodoeiro, utilizando-se duas cultivares de soja resistentes; e aplicação de matéria orgânica.

“Os resultados obtidos nas três unidades demonstrativas mostraram que a rotação de culturas com utilização de soja resistente a nematoide-das-galhas, associada à prática cultural de aplicação de matéria orgânica (de cinco a 11 toneladas por hectare), são técnicas promissoras para o manejo do nematoide de galhas”, afirma o especialista da Embrapa.

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