Mosca-branca no feijão preocupa produtores de soja no MT

Se não controlada, a praga migra para o cultivo seguinte e causa prejuízos de 15 sacas de soja, em média

29/09/2017 11:27:57

Atualizado:

29/09/2017 11:38:33

 

Produtores de soja do Mato Grosso que também plantam feijão estão preocupados com a alta infestação de mosca-branca que vem sendo observada na região. Além dos prejuízos no feijoeiro, o temor é que o inseto migre para a soja, que geralmente sucede o grão na safra seguinte. O medo é justificado: na oleaginosa, a mosca-branca causa perdas médias de 12 a 15 sacas por hectare.

As altas temperaturas são um ponto chave para compreender o aumento do ataque. Períodos secos e quentes, como os registrados atualmente, favorecem o desenvolvimento e a dispersão desta praga. Por isso a incidência tem sido elevada, segundo informações do agrônomo Clédson Guimarães Dias Pereira ao site Soja Brasil.

Além dos fatores naturais, o crescente uso de soja BT pode ter ajudado a intensificar o aparecimento da mosca-branca. É o que afirma o gerente de inseticidas da Syngenta, Vinicius Zardo. De acordo com o executivo, a pressão desta praga na soja tem crescido nos últimos quatro anos. “Há uma série de circunstâncias que podem estar contribuindo para esse agravamento, como o manejo descontrolado em outras culturas. Outro fator é a maior adoção de soja BT”, diz.

Zardo explica que, como a planta transgênica diminui a quantidade de aplicações para controle de lagartas, a mosca-branca é menos atingida em campo. “Não há pesquisas para afirmar com 100% de certeza, mas esse cenário caminhou junto [com o aumento da incidência da mosca-branca] e era um efeito esperado".

Melhor manejo

Para Zardo, o melhor jeito de evitar o ataque da mosca-branca na soja é fazer o controle efetivo no próprio campo de feijão. "Diminuir a população no feijão faz com que a praga tenha pressão menor no início da soja. O mesmo vale para o controle na soja para não infectar a plantação seguinte, que em Mato Grosso geralmente é o algodão, uma das culturas preferidas da mosca-branca", afirma.

Há muitas maneiras de controlar a mosca-branca, em diversas fases do estágio. Mas, segundo Vinícius Zardo, o melhor momento é quando o inseto chega à fase adulta. "Ao combatê-lo na fase adulta, as aplicações impedem que o problema se prolifere. Uma fêmea de mosca-branca põe de 400 a 600 ovos cada. É mais facil controlar um adulto que 600 ninfas". O executivo indica o inseticida Polo, formulado especialmente para a mosca-branca e um dos poucos que atuam nessa fase do inseto.

O diferencial deste inseticida é o chamado "efeito de fumigação", quando o sol quebra as partículas do produto, fazendo com que ele vire um gás. A aplicação deve ser feita no estágio certo de desenvolvimento da soja, do meio para o fim do ciclo. Este é o momento em que as "ruas da soja" estão fechadas, explica Zardo. "Isso cria um ambiente para o gás não evaporar e fazer o controle efetivo da praga adulta", diz o gerente da Syngenta.

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Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!