Broca-da-cana: produtor deve estar atento à infestação até maio

Com a intensificação das pancadas de chuvas e calor, lagarta que ataca a cana pode colocar em risco a lucratividade da lavoura

10/11/2017 19:43:49

Atualizado:

16/11/2017 12:47:36

A cana-de-açúcar é a terceira maior cultura em área cultivada do país, com mais de nove milhões de hectares e produção de mais de 691 milhões de toneladas na entressafra 2016/2017, segundo dados do Centro de Tecnologia Canavieira.

Mesmo o Brasil sendo um dos principais produtores mundiais de cana-de-açucar, muitos produtores lidam com diversos problemas que resultam em prejuízos de cerca de R$ 8 bilhões ao ano. Essas perdas de produção também estão associadas à infestação dos canaviais pela broca-da-cana (Diatraea saccharalis).

Muito comum de outubro a maio, a mariposa deposita os ovos nas folhas da cana-de-açúcar e ali podem permanecer encubadas por até duas semanas, dependendo do clima e temperatura. Após a eclosão, a lagarta migra para a região do cartucho da planta alimentando-se da raspagem das folhas e da casca do entrenó em formação. Depois de perfurar a casca do colmo, a broca-da-cana pode permanecer no canavial por mais 70 dias, fase em que o inseto causa danos diretos e indiretos para toda a plantação.

Além dos meses mais favoráveis para a infestação, a broca costuma se reproduzir a partir do terceiro mês após o plantio ou corte da cana. Isso porque a larva aproveita para penetrar no colmo no início do ciclo de desenvolvimento, ou seja, quando a planta está mais tenra e macia para furar e criar galerias na parte vascular da planta.

Outros fatores também interferem na intensidade de infestação da broca, entre eles, as condições climáticas, a variedade plantada, a fertirrigação, bem como as áreas com aplicações de vinhaça.

Prejuízos

Lupérsio Garcia, desenvolvedor técnico de mercado da Syngenta, alerta para o fato de que os furos realizados pela broca-da-cana permitem também o ataque de fungos e pragas secundárias, como o Metamasius hemipterus e, especialmente, os fungos Fusarium moniliforme e Colletotricum falcatum, que causam a podridão vermelha, com perdas ainda mais devastadoras no canavial.

Os danos podem ser observados em brotos ou perfilhos novos que têm o crescimento afetado pelas larvas. Geralmente, elas causam a morte da gema apical, o secamento das folhas mais novas e até a morte do broto ou perfilho atacado.

 “Os prejuízos atribuídos à broca-da-cana podem variar de 0,8 a 1,2 toneladas para cada índice de intensidade de infestação final e o estrago provocado pela larva também prevê uma redução de até 2,05% na margem de contribuição industrial”, diz Garcia. O percentual da intensidade de infestação é calculado com base nos entrenós brocados em relação aos colmos totais produzidos.

Solução

Para Garcia, quando o índice de infestação atinge cerca de 3% de colmos com a presença de broquinhas, é hora de entrar com a aplicação de agentes químicos. Uma das opções disponíveis no mercado, segundo o técnico, é o Ampligo, um produto que traz a associação de uma diamida, do clorantraniliprole e de um piretroide chamado lambda-cyalotrina e que promove uma rápida ação de controle das lagartas.

Como é um inseticida de contato e ingestão, o Ampligo é também eficaz nas culturas de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, trigo e tomate, para controlar alvos importantes como lagarta-da-soja, falsa-medideiraSpodoptera e bicudo-do-algodoeiro.

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