Antracnose na soja é um grande desafio para a cultura

Saiba mais sobre essa doença fúngica misteriosa que ataca a sojicultura

30/11/2017 17:52:40

Atualizado:

01/12/2017 09:11:26

 

Embora não se distribua de forma uniforme nas lavouras brasileiras, a antracnose surgiu no Brasil no final dos anos 80 e se espalhou pela região do cerrado devido às condições favoráveis proporcionadas pela umidade, temperatura, monocultura, dentre outros fatores.

No Mato Grosso, a maior ocorrência tem sido vista bem ao norte do Estado, especialmente em regiões de mata, de menores altitudes, que tendem a ser mais chuvosas e mais quentes. Apesar de ser muito pouco estudada e de haver muitas divergências quanto à diagnose e ao manejo, aparentemente a doença também se aproveita de plantas com sistema radicular mais debilitado, causado por compactação ou enxarcamento ou plantas nutricionalmente mais fracas.

Também importante em algumas regiões, juntamente com a ferrugem asiática, a antracnose causa a morte das plântulas e apresenta manchas negras nas nervuras das folhas, hastes e vagens, podendo ser facilmente confundida com o ataque de percevejos e doenças como mancha-alvo. Apesar de atacar vários órgãos, o apodrecimento de vagens, em qualquer fase, tem sido o grande problema, por afetar diretamente a produtividade. Por conta disso, o engenheiro agrônomo especialista em proteção de plantas, Valtemir José Carlin, Diretor da Agrodinâmica diz que o diagnóstico geralmente é difícil e confirmado apenas com uma lupa que possibilita enxergar o acérvulo (estrutura do fungo). Todavia, precisa saber se a doença detectada foi a causa do sintoma ou a consequência.

 “A doença que é nectrotrófica (coloniza matéria orgânica e fica presente no talhão em restos culturais), geralmente dá sinais de infestação em estágios avançados, todavia o fungo pode estar presente até mesmo desde a implantação da lavoura, pois a infecção também ocorre via sementes”, explica o especialista.

Mesmo a doença sendo pouco estudada no Brasil, já é sabido que a infestação se dá por conta de um desequilíbrio da planta, aliado ao ambiente favorável, presença de inóculo na região e materiais genéticos mais suscetíveis.

Como combater

O engenheiro explica que a melhor forma de proteção da cultura é realizar o manejo integrado de ações que minimizem o impacto causado pela doença, dentre eles o tratamento de sementes com fungicidas eficientes; a correção/melhoria química, física e biológica do solo; a escolha de cultivares mais resistentes; a redução na população de plantas de forma que a planta fique mais aberta, ventilada e consiga responder mais aos tratamentos fúngicos e o uso de fungicidas na fase inicial, antes da fase reprodutiva.

“Usar apenas uma ferramenta de manejo integrado é extremamente perigoso, pois a doença é muito complexa, ou seja, todas as estratégias devem ser usadas concomitantemente até que maiores resultados sejam disponibilizados”, conclui o especialista.

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