Percevejo-marrom: Um perigo real para os grãos de soja

15/03/2017 16:30:38

Atualizado:

05/07/2017 11:48:32

Dono de uma produção que aumentou rapidamente nas últimas décadas, o Brasil é um dos maiores produtores de grãos do mundo. Somente na última safra, a produção nacional foi de 87 milhões de toneladas de soja e 75 milhões de toneladas de milho – sendo que boa parte deste crescimento se deve ao aporte de tecnologias adaptadas à região do Cerrado.

Esse ganho, em parte, se deu com a adoção do Sistema de Plantio Direto, maquinário de melhor desempenho e, principalmente, pela utilização de novas cultivares. No entanto, essa expansão tem gerado ambiente em condições para perdas significativas ao produtor. As perdas causadas por insetos-pragas podem alcançar valores significativos.

No caso da soja, um fenômeno crescente é a utilização do grão precoce. Com destaque para promissoras variedades deciclo ao redor de 100 dias, o foco é favorecer a semeadura antecipada para melhorar as condições para a segunda safra nas regiões produtoras. E é justamente neste sistema sucessivo que se observa a ocorrência mais intenso de pragas comuns às culturas.

Os percevejos pentatomideos são os que causam mais perdas. Os danos podem ocorrer diretamente nos grãos, reduzindo o peso e o tamanho, ou indiretamente, afetando a qualidade e causando aborto de grãos e vagens.

O ataque de percevejos também pode gerar condições para a transmissão de doenças às sementes de soja. Ao se alimentarem, esses insetos injetam enzimas digestivas e leveduras que podem gerar redução na percentagem de germinação e no vigor da plântula. Esses danos são cumulativos durante o período de formação das vagens e enchimento de grãos, ou seja: o simples fato de reduzir a população de percevejos em ações isoladas não elimina totalmente os problemas.

Outra característica do ataque de percevejos que afeta a qualidade do grão é a retenção foliar de soja (“soja louca”) que acontece quando as vagens estão maduras, mas as folhas ficam verdes e não caem.

Dessa maneira, a praga irá gerar perdas no rendimento final e indiretamente afetará as condições para armazenamento, aumentando o custo pelo desconto “padrão” na recepção do armazém. Devido às características de comportamento do inseto, à dificuldade de controle e aos crescentes danos causados, o manejo dos percevejos tem levantado questionamentos no que se refere ao momento de controle. Afinal, os danos causados por essas pragas têm sido subestimados.

Nessa dificuldade de redução populacional tem sido observado o aumento da quantidade de inseticidas no manejo da praga, principalmente a utilização de piretróides e neonicotinóides em detrimento da rotação de ativos, principalmente de organofosforados. No rendimento da soja, deve ser dada atenção aos três componentes de produção:

1) Quantidade de legumes por unidade de área,

2) Quantidade de grãos por legume e

3) Peso médio de grãos.

Em razão do alto potencial de danos do percevejo marrom, maior atenção deve ser dada ao seu manejo e mais dados devem ser analisados, principalmente em variedades precoces. A utilização de variedade precoces está se generalizando em todas as regiões do Cerrado e o que se observa também são variedades mais dependentes de inseticidas.

Nessas variedades, torna-se imperativo a manutenção das vagens na planta para ganhos de produtividade no negócio, do início ao fim da cultura.

SOBRE O

ESPECIALISTA

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Dr. MÁRCIO FERNANDES PEIXOTO

IFGoiano – Goiás

Professor do IFGoiano (Instituto Federal Goiano), campus de Rio Verde (GO). Tem experiência na área de agronomia, com ênfase em Entomologia. Atua com manejo de pragas, controle biológico, plantio direto, herbicidas e culturas do algodão e da cana no Cerrado. [Leia mais]

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