Percevejos e as perdas, imperceptíveis na produção

16/03/2017 14:05:50

Atualizado:

14/09/2017 14:04:02

Os percevejos são considerados no complexo de pragas da soja as de maior risco para a cultura. Essas pragas causam danos na cultura da soja quando surgem a partir da fase reprodutiva (período crítico). A partir de R3, a cultura é mais suscetível aos danos, pois o ataque acontece diretamente nas partes reprodutivas, onde ocorre o abortamento das vagens. O efeito desse ataque é severo para o rendimento da cultura, pois reduz diretamente o potencial produtivo da planta. A partir do enchimento de grãos (R5), os danos podem ocorrer diretamente, reduzindo o seu peso e tamanho. Indiretamente afetam a qualidade sanitária e fisiológica; e no caso de lavouras para sementes, reduzem o poder germinativo.

Dano nos grãos causado pelo percevejo da soja na fase R5.

Estas fotos nos mostram que os percevejos quando atacam na fase de canivetinho (R3 e R4) podem causar a queda total das vagens (abortamento), afetando diretamente o bolso do produtor. Já a partir do enchimento de grãos, os danos são parciais, mas os percevejos reduzem o peso, a qualidade fisiológica da semente, o vigor e o potencial germinativo. As picadas dos percevejos também são uma porta de entrada de micro-organismos, que degeneram os grãos e alteram os teores de óleo/proteína.

Na fase R5.4 o percevejo se alimenta dos grãos e, ao injetar seu estilete, causa danos irreversíveis à semente. Ao se alimentarem, esses insetos injetam enzimas digestivas e leveduras, as quais colonizam os tecidos das sementes causando distúrbios necróticos que podem gerar redução na percentagem de germinação e do vigor da plântula. Além disso, pode ocorrer a indução de um distúrbio fisiológico que afeta a maturação normal das plantas atacadas, permanecendo estas com as folhas verdes ao final do ciclo. Isso causa problemas na colheita, pelo excesso de umidade no processo de trilha e no produto colhido. O resultado final é o prejuízo pela queda no rendimento e na qualidade e, no caso de produção de sementes, pela sua inviabilização.

Além disso, quando o ataque ocorre mais tarde, os danos são percebidos pelo “desconto-padrão” que o produtor recebe na recepção do armazém pela presença de grãos ardidos. De todos os danos causados pelos percevejos, esse é o mais perceptível pelo produtor. Dificilmente os danos causados nas fases anteriores são observados. O produtor não pode se descuidar de sua lavoura de soja desde o início da fase reprodutiva, e deve ficar alerta aos primeiros sinais da presença dos percevejos. Por isso é recomendado se fazer um bom monitoramento de pragas na lavoura.

Recomenda-se que as vistorias sejam realizadas, no mínimo uma vez por semana, através de amostragens de “pano de batida”, desde o início do desenvolvimento de vagens até a maturação das plantas. Preferencialmente, essas amostragens devem ser realizadas nos períodos mais frescos do dia, pela manhã ou à tarde. Ressalta-se que somente a observação visual das plantas não expressa a real população dos percevejos na área.

Amostra de 1 kg de grãos danificados

A aplicação de um produto eficiente – com bom efeito de choque e residual, quando atingidos os níveis de ação recomendados – é fundamental para um bom manejo do percevejo e para evitar essas perdas.

SOBRE O

ESPECIALISTA

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Dra. JUREMA RATTES

UniRV – Goiás

É professora titular e pesquisadora da Faculdade de Agronomia da UniRV (Universidade de Rio Verde). Tem experiência em entomologia agrícola, com ênfase em bioecologia das principais pragas de ocorrência no Cerrado e em manejo de pragas de grandes culturas. [Leia mais]

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