3 espécies de lagartas para ficar de olho e evitar prejuízos nesta safra

Helicoverpa armigera e Falsa medideira estão na lista. Veja características e saiba identificar e controlar outras espécies que podem impactar a produtividade

18/10/2018 09:19:00

Atualizado:

18/10/2018 17:51:05

 

Começo de safra é tempo de dobrar o alerta e investir na prevenção e incluir, entre outras boas práticas agrícolas, o monitoramento contra pragas. Entre os principais insetos invasores estão as lagartas. E o agricultor que busca a máxima produtividade deve ficar atento ao que vai encontrar pela frente na lavoura.

Identificar e entender as características e comportamentos é fundamental, para a tomada de decisão de qual estratégia de manejo adotar e evitar os danos. O engenheiro agrônomo da área de Desenvolvimento Técnico de Mercado (DTM) da Syngenta, Edson Sawada, ajuda a listar as três principais lagartas para o produtor ficar de olho nesta safra. “A atenção vale desde o pré-plantio até a colheita. A planta pode ser atacada em estágios de desenvolvimento distintos. Fazer o monitoramento e agir rapidamente é o que vai garantir o manejo eficiente contra as pragas”, alerta.

Veja três espécies de lagartas que merecem atenção nesta safra e saiba identificá-las e combatê-las:

1 - Lagarta helicoverpa (Helicoverpa armigera)

A Helicoverpa armigera causa prejuízos principalmente para as lavouras de algodão, feijão, soja e milho. Esta espécie apresenta coloração variada entre verde a amarelo mais escuro. A partir de o quarto instar, as lagartas formam uma “sela” no quarto segmento abdominal. 

A duração do ciclo de existência, que varia de 30 a 60 dias, permite que várias gerações sucessivas se completem na mesma safra de soja. Ela pode atacar durante todo o ciclo da cultura, desde a emergência até a fase reprodutiva.

A helicoverpa também se desloca rapidamente e consegue se adaptar a diferentes ambientes, climas e sistemas de cultivo, com grande capacidade de resistência aos inseticidas. Apresenta preferência principalmente por estruturas reprodutivas, ou seja, atacam diretamente as vagens, inflorescências, frutos, causando dano direto na produtividade. “A tendência nesta safra é de chuvas dentro do previsto, mas o clima é imprevisível. Essa lagarta tem mais chances de surgir com a estiagem prolongada e o controle é difícil, principalmente se identificada tardiamente. Por isso o monitoramento é tão essencial em todo o momento”, diz Sawada.

2 - Lagarta falsa-medideira (Chrysodexis includens)

falsa-medideira está entre as principais lagartas que ameaçam a cultura de soja e também está presente nas lavouras de algodão. Uma das características deste tipo de lagarta é se movimentar dando a impressão de que está medindo palmos, por isso o nome. Ela tem coloração verde-clara com pontos pretos e linhas esbranquiçadas no dorso.

O ataque da falsa-medideira começa quando ela raspa as folhas, o que resulta em algumas manchas claras. Na medida em que crescem, podem destruir completamente as folhas, danificando até as hastes mais finas.

Elas preferem se alimentar do limbo, deixando as nervuras intactas e aspecto rendilhado. Esta espécie tem por comportamento se alimentar das folhas do baixeiro das plantas, o que ocasiona maior dificuldade de controle, pela baixa exposição, e dificuldade das aplicações atingirem o alvo. “É possível encontrar a praga em vários estádios de desenvolvimento e em uma mesma região. A pressão pode ocorrer entre dezembro e janeiro e o controle se dá quando identificadas as lagartas pequenas”, explica Sawada.

3 – Lagarta spodoptera (cosmioides, frugiperda e eridania)

O engenheiro agrônomo DTM da Syngenta alerta para três tipos de lagartas da espécie spodoptera nesta safra: a lagarta-preta-da-soja (spodoptera cosmioides), a lagarta-do-cartucho (spodoptera frugiperda) e a lagarta-das-folhas (spodoptera eridania). “As três são desfolhadoras, porém eventualmente podem se alimentar também de vagens. Não há dificuldade no controle, desde que o monitoramento e as aplicações sejam feitas da forma correta”, diz.

A lagarta-preta-da-soja é uma mariposa pequena que mede cerca de 40 mm de envergadura, de coloração parda. As lagartas atingem este mesmo tamanho quando estão totalmente desenvolvidas. Nesta fase, ela tem coloração parda, passando até preta e listras longitudinais pretas no dorso. Quando completa sua fase adulta apresenta coloração preta intensa, com pontuações amarelas. Este tipo de lagarta destrói as folhas provocando desfolha e podem raramente atacar vagens, o que prejudica o desenvolvimento e produção da soja.

Já a lagarta-do-cartucho atinge as lavouras de milho, trigo, algodão, soja e arroz, entre outras. O adulto é uma mariposa que mede 35 mm de envergadura. As asas anteriores são escuras e as posteriores brancas e acinzentadas. Ela tem coloração que varia de parda e verde-escura e três linhas branco-amareladas na parte dorsal do corpo. É bem comum só encontrar uma lagarta por planta, pois essa espécie pratica o canibalismo.

A lagarta-das-folhas (spodoptera eridania), na fase adulta, é uma mariposa que  mede cerca de 40mm de envergadura. As asas são cinzas com pontos pretos e de coloração branca. As lagartas apresentam cor cinza-escura a castanha, com três linhas longitudinais alaranjadas e triângulos pretos no dorso.

Vale a pena pensar em um manejo de sistemas, pois em geral estas lagartas atacam várias culturas que fazem parte do sistema produtivo do agricultor. Portanto as ações de manejo adotadas em uma cultura refletiram na cultura subsequente.

Como se prevenir e controlar infestações

Em geral as lagartas são pragas de fácil controle, quando se adota principalmente o monitoramento. O que deve ser levado em conta, no monitoramento, a espécie e o nível de infestação na lavoura, para realizar o manejo eficiente.

Uma vez atingido o nível de dano econômico, o portfólio da Syngenta dispõe entre as opções o Ampligo, que apresenta excelente desempenho no controle de lagartas na cultura da soja, principalmente para a Spodoptera e Helicoverpa, podendo ser utilizado em outras culturas, pois tem registro para, algodão, cana-de-açúcar e trigo.

Outra excelente ferramenta para manejar lagartas na cultura da soja é o Proclaim. A eficácia do Proclaim vem da rápida ação de choque, além do residual, que paralisa as lagartas logo nas primeiras horas, bloqueando rapidamente a alimentação da praga. Outra vantagem é a ação translaminar, que protege os dois lados da folha.

Outros inseticidas também têm papel importante no controle, como o Curyom e Match. “As aplicações variam, conforme a incidência na lavoura, fase e o tipo de lagarta. São tecnologias que se completam e ajudam a evitar prejuízos, desde que usadas da forma adequada e nos intervalos certos”, explica Sawada.  

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