Irmãs se unem para suceder pai na gestão da fazenda

Juliana e Djenane Comparin se especializaram em administração rural para, junto com mais três irmãs, dar continuidade aos projetos da família

31/10/2017 13:13:41

Atualizado:

01/11/2017 19:12:47

Leandro Martins/Syngenta

Seu Olinto Comparin, produtor rural em Sidrolândia (MS), planta milho, soja e cria um pouco de gado há mais de 45 anos. Ele começou arrendando terras, e hoje sua área produtiva é de 15 mil hectares. Sem filhos homens, passa tudo o que sabe para as cinco filhas, para que elas continuem seu legado.

A preparação de suas sucessoras vem desde a infância. Durante as férias, elas iam para a fazenda, e andavam ao lado do pai ou da mãe nas vendas da safra. “Nosso pai sempre nos levou, por exemplo, para pesar a safra na balança. Ele nunca colocou um terceiro, sempre foi uma das filhas ou nossa mãe”, conta Juliana, uma das filhas. Todo o processo era dito em voz alta, para que elas aprendessem os termos técnicos e as habilidades de negociação.

Além das "aulas práticas", seu Olinto fez questão que todas as filhas tivessem curso superior, para não repetirem sua baixa escolaridade, já que ele estudou somente até a quarta série do ensino fundamental. Juliana é formada em Direito e Administração Rural, e por isso é ela quem fica à frente da gestão da propriedade da família, enquanto sua outra irmã Djenane, também formada nos dois cursos, cuida da parte jurídica.  Das cinco, apenas a irmã do meio não está mais trabalhando na fazenda, mas volta sempre que necessário, como no período de colheita. “Nosso pai faz questão da gente. Todas têm um talento para alguma etapa do agro”, diz Juliana.

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A sucessão rural é um assunto levado a sério pelas irmãs. O tema, que anda na moda no agronegócio nos últimos anos, foi apresentado a elas à primeira vez pela Syngenta, em 1998. “A gente nunca tinha ouvido falar em se preparar para assumir a fazenda. Já naquela época a Syngenta falava disso. Fizemos o curso da empresa e aprendemos muito. Até achei esses dias o caderno com todas as anotaçõesm tudo ainda muito atual”, lembra Djenane.

A preocupação tem um motivo: a meta é que as cinco permaneçam unidas “Acho que não adianta rachar. Por mais que sejam cinco, eu não penso em separar, e sim todas unidas, como se fosse uma empresa”, diz Juliana. Para isso, querem se reunir com todos da família e delegar funções para que todos sejam uma parte da engrenagem do negócio.

Cabeça dura

Apesar de sempre terem sido estimuladas a permanecerem no campo, elas afirmam que suam a camisa para conseguir dobrar o pai em algumas questões “novas” sobre a produção agrícola. A regulamentação do terreno para o Novo Código Florestal, por exemplo, só saiu depois de horas de conversa. “Meu pai falava que nunca tinha feito isso, então não era importante. Tivemos que explicar que a sustentabilidade é importante, que dá para produzir sem impactar tanto o meio ambiente”, explica Juliana.

Só conseguiu convencê-lo porque estudou muito a respeito. “Hoje vejo que meu pai me escuta quando ele vê que eu entendo do assunto. Então nós temos que saber o que nós estamos fazendo para ter a confiança dele. Agora algumas coisas que ele teimava comigo antigamente, principalmente no aspecto das leis, ele já deixa para eu resolver. Mas só consegui chegar a esse nível quando a gente conseguiu provar que entende e domina o assunto”, explica Djenane, que é advogada.

Cuidar da parte ambiental é apontado por elas como o grande trabalho das cinco herdeiras, já que o pai, por ser mais velho, acaba não dando tanta importância para a sustentabilidade. “Nós saímos do campo para estudar e voltamos com essas ideias que talvez os nossos pais não tinham essa percepção. Eu vejo que é nesse ponto que a gente vai ter utilidade pros nossos pais”, finalizam as irmãs.

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