A importância do refúgio para a sustentabilidade na lavoura

Especialista explica como as culturas transgênicas melhoraram a produção e de que forma essa tecnologia pode ser preservada

23/10/2017 16:54:02

Atualizado:

24/10/2017 13:51:37

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Para ter sustentabilidade na lavoura, o agricultor dispõe de diversas tecnologias e boas práticas, como o refúgio. Plantar uma parte da área destinada a soja ou milho com sementes convencionais ajuda a controlar o avanço da resistência de lagartas a sementes Bt, o que é importante para a preservação da eficiência das sementes transgênicas.

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Adriana Brondani, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), escreveu um artigo sobre a importância do refúgio para o campo e suas tecnologias.

Leia o artigo na íntegra:

Boas práticas: o caminho para a sustentabilidade

O alto índice de adoção da transgenia no campo, indicativo de sua eficiência, exige que a taxa de adoção do refúgio seja igualmente elevada
 

Não é possível falar de agricultura brasileira sem mencionar números grandiosos. Em nosso território, com práticas sustentáveis, emprego de tecnologia e agricultores comprometidos, produzimos a maior parte dos alimentos, fibras e energias renováveis consumidas em todo o mundo. Na safra 2016/2017, só em grãos, o País colheu 238,5 milhões de toneladas, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Por falar em grãos, soja e milho permanecem como principais culturas produzidas no País. Os dois produtos correspondem a quase 90% do que é produzido. A soja alcançou uma produção acima de 114 milhões de toneladas (t) e o milho quase 98 milhões, distribuídas entre primeira e segunda safra. Não por acaso, estão disponíveis para essas culturas, além do algodão, a inovação das sementes geneticamente modificadas (GM).

Há outros números que impressionam. De acordo com o último levantamento do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Agrobiotecnologia (ISAAA), a área plantada com culturas transgênicas no Brasil foi 44,2 milhões de hectares, a segunda maior do mundo. Nessa área, aproximadamente 39% foi cultivada com plantas resistentes a insetos (plantas Bt). O cultivo da tecnologia Bt em grandes áreas pode resultar na seleção de pragas-alvo resistentes às toxinas Bt. Diante disso, a implementação de um programa de Manejo da Resistência de Insetos (MRI) é indispensável e o refúgio é a principal estratégia desses programas.

O refúgio é uma área cultivada com plantas não Bt em lavouras de soja, milho ou algodão Bt cujo objetivo é produzir insetos suscetíveis às proteínas inseticidas que irão se acasalar com os insetos resistentes provenientes das áreas Bt, gerando novos indivíduos suscetíveis à tecnologia. O objetivo é manter uma população de pragas vulneráveis ao efeito inseticida da variedade transgênica e preservar os benefícios da tecnologia.

 

O percentual da área que deve ser usada como refúgio varia de acordo com a cultura transgênica utilizada. As áreas de refúgio devem estar localizadas a uma distância máxima de 800 metros da lavoura com tecnologia Bt e a planta deve ser da mesma espécie, além de ter ciclo e porte igual ao da variedade Bt. A proporção é de 20% para a soja e o algodão e de 10% para o milho.

Elevar a taxa de adoção de refúgio é um desafio que pode ser superado. Para que um índice maior de agricultores proteja corretamente a sua lavoura por meio da adoção do refúgio e, consequentemente, tenham melhor qualidade de vida, empresas produtoras de sementes, cooperativas, associações e acadêmicos já estão engajados em programas de educação e de extensão rural. O Boas Práticas Agronômicas é uma dessas iniciativas que tem sido fundamentais para ajudar os agricultores a tomar as decisões mais adequadas aos seus sistemas de produção.

Também chamado de BOAS pelos produtores, o programa é uma rede de produtores, consultores, especialistas de empresas e demais profissionais da cadeia produtiva que promove o diálogo sobre as melhores práticas para a preservação e a sustentabilidade da biotecnologia no campo, o aumento da produtividade e a redução de perdas em culturas de soja, milho e algodão Bt. Desde julho de 2015, o programa já impactou mais de 12 mil agricultores por meio de atividades interativas conduzidas por uma equipe multidisciplinar de profissionais em congressos do setor, feiras agrícolas e dias de campo.

Além dos números impressionantes que o Brasil já apresenta na adoção de tecnologias no campo, fundamentais para enfrentar os desafios da agricultura tropical, é necessário também que todo o setor apoie os programas de educação e de extensão rural, essenciais para a manutenção da eficiência, durabilidade da tecnologia e diminuição de insetos resistentes ao Bt. Informações técnicas e esclarecimento de dúvidas podem ser encontrados no site www.boaspraticasagronomicas.com.br.

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