Algodão: como combater pragas comuns na metade do ciclo

Clima e momento da safra favorecem surgimento de bicudo, lagartas, pulgão e mosca-branca

16/05/2018 18:26:34

 

As lavouras de algodão estão chegando à metade do ciclo de 180 dias. Na região Centro-Oeste, maior produtora da pluma do País, as plantas estão em plena fase reprodutiva. Na Bahia, outro importante produtor, a cultura está um pouco mais adiantada, pois o plantio iniciou antes. Nestas lavouras, a estrutura reprodutiva aparece bem definida, já no formato de maçãs que vão dar origem às plumas.

Nas duas situações, o produtor precisa estar bastante atento, pois no meio do ciclo, a lavoura corre mais riscos de ser afetada por pragas e doenças. Quem afirma é o gerente de Marketing de Algodão da Syngenta, Wagner Janjacomo. "É importante o monitoramento efetivo porque em todas as regiões de cultivo as plantas já apresentam estrutura reprodutiva (botões florais e maçãs da pluma), e o ataque a esse sistema interfere diretamente na produtividade", diz.

Bicudo: maior ameaça


O bicudo-do-algodoeiro, que destrói as estruturas reprodutivas da planta, está presente em todas as lavouras. Nesta safra, no entanto, ele apareceu mais na região Centro-Oeste. Segundo o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), a captura do inseto nas armadilhas aumentou 8% em relação à última safra e chegou a 50% em algumas regiões. Uma das causas é o clima chuvoso, que favorece a proliferação de pragas.


Segundo o agrônomo Eduardo Barros, da área de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta, o uso de armadilhas nos talhões é uma importante ferramenta para o agricultor. Quando o índice de infestação atinge 5%, é momento de recorrer ao controle químico. O número de aplicações necessárias fica entre nove e 12, mas pode variar de acordo com a região. "O segredo de manejo do bicudo são as aplicações sequenciais a partir do B1 (quando começa a fase reprodutiva, com o aparecimento dos botões florais). O ideal é que cada bateria tenha três aplicações a cada cinco dias", explica o técnico.

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Lagartas, pulgão e mosca-branca


As lagartas também exigem atenção durante todo o ciclo do algodão. De acordo com Barros, a espécie Spodoptera eridania prefere comer as folhas. Já a Spodoptera frugiperda e a Helicoverpa armigera, atacam as estruturas reprodutivas, como botões florais e maçãs. "A desfolha precoce reduz a capacidade de fotossíntese e afeta o desenvolvimento da planta. O ataque ao sistema reprodutivo causa dano direto no que será colhido. O resultado é que a lavoura vai produzir menos pluma", diz.

Para identificar a presença de lagartas, o agricultor precisa entrar mais vezes na lavoura. A aplicação de produtos deve ter início quando a desfolha chega a 10% ou houver duas lagartas por metro. Nos casos da frugiperda e da helicoverpa, apenas uma lagarta é sinal de alerta. A quantidade de inseticidas varia de acordo com a tecnologia usada. "Com biotecnologia de alta eficiência para controle de lagartas, uma ou duas aplicações são suficientes. Nas lavouras com biotecnologia de menor eficiência, de cinco a sete vezes. Já nas plantações com algodão convencional, de seis a nove vezes", afirma o técnico da Syngenta.

Outras duas pragas que merecem destaque nesta fase do cultivo do algodão são o pulgão e a mosca-branca. Além de sugar a seiva das plantas e injetar toxinas, elas emitem uma substância açucarada chamada “honeydew”, que pode prejudicar a qualidade da fibra. A recomendação, segundo Barros, é fazer monitoramento pelo menos uma vez por semana e recorrer ao controle químico quando houver surtos. A aplicação de inseticidas deve ser feita quando o pulgão estiver presente em 40% das plantas e a mosca-branca, em 20%.

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Doenças: ramulária também preocupa


Entre as doenças, a ramulária é considerada uma das mais preocupantes. Neste ano, as condições climáticas estão favoráveis, com altos volumes de chuva e temperatura noturna mais baixa. A orientação é não descuidar das boas práticas de manejo e intensificar o monitoramento, pois ao identificar a doença logo no início, o produtor consegue recorrer ao controle químico antes de ter prejuízo. “O fungicida deve ser usado com intervalo de 14 ou 15 dias, a partir de 25 a 35 dias de germinação. Como a doença é bastante agressiva, o número de aplicações pode variar de 7 a 12 em todo o ciclo da cultura”, afirma Eduardo Barros.

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