Área irrigada no Brasil pode chegar a 11,5 milhões de hectares

Estudo da ONU também aponta manejo do solo como estratégia para uso adequado da água

03/04/2018 18:47:41

Atualizado:

03/04/2018 19:05:48

 

A demanda por alimentos no mundo deve crescer 70% até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), quando a população mundial chegará a 9,1 bilhões de habitantes. Para aumentar a produção agrícola, uma das estratégias é ampliar as áreas de cultivo. O Brasil teria potencial para expandir a agricultura irrigada em mais 4,5 milhões de hectares. É o que mostra o estudo da FAO "Agricultura irrigada sustentável no Brasil: identificação de áreas prioritárias", apresentado durante o Fórum Mundial da Água, realizado em março.

Inicialmente, a FAO havia identificado uma área potencial de 27,5 milhões de hectares. A partir desse primeiro número, diversos filtros foram aplicados. Foram descontadas, por exemplo, áreas  urbanizadas, destinadas à reserva legal e de Proteção Permanente (APPs). Desta forma, foi possível chegar ao total de 4,5 milhões de hectares prontos para receber agricultura irrigada – a área cultivada com irrigação chegaria a 11,5 milhões de hectares, um salto de 65% até 2024. Para concluir esse dado, foram consideradas áreas localizadas em municípios com boa infraestrutura e disponibilidade para a prática da agricultura irrigada.

“O estudo identifica o potencial que o Brasil tem em quantidade de hectares que estão disponíveis para serem usados agora. São superfícies que não estão sobrepostas com territórios indígenas, áreas de conservação, têm água em abundância e infraestrutura”, disse o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.

Ele destacou a importância da irrigação como ferramenta de inovação tecnológica para garantir segurança alimentar para o planeta. “A agricultura irrigada representa uma poderosa ferramenta de gestão contra as incertezas sobre chuvas que afetam diversas regiões do mundo. Também é economicamente atraente no cultivo de alto rendimento e aplica nutrientes e pesticidas apropriados para explorar o potencial de variedades modernas”, afirmou.

Manejo do solo é valorizado

A agricultura é apontada como o setor que mais consome água no mundo. O uso é destinado à produção de alimentos. Para a produção de 1 kg de carne, por exemplo, são necessários 10 mil litros de água. Para uma maçã, 100 litros. Os dados constam no Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018. "No mundo, 70% da água doce vai para a agricultura. No Brasil, são 67%. Portanto, não desperdiçar alimentos é também uma boa alternativa para evitar o uso inadequado de água", disse. Segundo Bojanic, um terço dos alimentos produzidos no mundo vão para o lixo.

O documento destaca a necessidade de um equilíbrio entre as chamadas infraestruturas verde e cinza para o uso adequado e o consumo consciente da água. "É preciso pensar onde as duas juntas darão o melhor benefício. A demanda hídrica mundial tem aumentado 1% ao ano. Atualmente, há 3,6 bilhões de pessoas vivendo em áreas que são potencialmente escassas de água", disse Ângela Cordeiro, engenheira ambiental da ONU. A infraestrutura verde está relacionada à preservação das funções do ecossistema e à engenharia ambiental para melhorar a gestão dos recursos naturais. A cinza refere-se a soluções obtidas por meio da engenharia civil.

Segundo a representante da ONU, as soluções verdes têm relevância por ajudarem a população a pensar diferente, por meio de maior contato com a natureza e as populações. Entre as estratégias em destaque está o manejo adequado do solo. A especialista afirmou ainda que a infraestrutura verde pode ajudar a reduzir as pressões sobre o uso da terra, limitando a poluição, a erosão do solo e as necessidades hídricas. (Com informações da ONU e da EBC)

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