Atenção: clima está propício à infestação de broca-do-café

Produtor deve monitorar para evitar que praga se instale no momento em que os grãos se tornam alimento ideal para larvas

09/02/2018 00:29:32

Atualizado:

09/02/2018 11:02:27

 

Cafeicultores de todo o país precisam estar atentos, pois o clima nas principais regiões produtoras está ideal para o surgimento da broca-do-café. É o que afirma o engenheiro agrônomo Luiz Fernandes, da área de Desenvolvimento de Mercado da Syngenta no sul de Minas Gerais. Segundo o técnico, o ciclo de vida do inseto é beneficiado pela combinação de temperatura elevada, chuvas regulares e umidade relativa do ar alta – condições encontradas hoje em vários estados onde existem lavouras cafeeiras. Por isso, o produtor não pode baixar a guarda e deve manter monitoramento constante.

Da colheita até a florada seguinte, se o clima é muito seco, naturalmente a população da broca se reduz. Foi o que aconteceu do ano passado para cá. “As chuvas demoraram. Deveriam ter chegado na segunda quinzena de setembro, mas vieram apenas na primeira de outubro. Isso reduziu a população do inseto”, diz Fernandes. “Agora, no entanto, as condições passaram a favorecer o ciclo de vida da broca e, no estágio atual da lavoura, um ataque pode ser desastroso”, afirma. De acordo com o engenheiro, o inseto precisa de 20 a 30 dias para sair do ovo e chegar à fase adulta. Com isso, tem tempo de sobra para produzir estragos em cafezais até agora saudáveis.

Revoada

Normalmente, o período de revoada da broca é de 90 a 120 dias depois da florada do café. Nesse período, o inseto costuma manter-se revoando no talhão porque a concentração de matéria seca na semente do café é baixa. “Ele faz a picada de prova e só encontra água. Como a prole não terá alimento, não se fixa. Permanece no talhão, à procura de melhores condições para pôr os ovos. Isso facilita o controle, porque o inseto é muito visível na lavoura”, explica Fernandes.

A partir de 120 dias da florada, porém, a situação muda. “A semente de café ganha consistência, oferecendo alimento aos ovos. Numa única revoada, a broca faz a picada de prova, encontra o que precisa para a prole, penetra no grão, constrói a galeria e não sai mais dali, prejudicando a qualidade e a produtividade do talhão e, acima de tudo, dificultando seu controle”, alerta Fernandes.

É neste momento que uma falha de monitoramento pode pôr a perder os ganhos do produtor. Uma lavoura com 100% dos grãos infestados significa 20% de perda de peso do grão. “Para evitar a infestação, o cafeicultor deve manter o monitoramento mensal. Se identificar um talhão com 1% dos frutos perfurados, precisa entrar com a primeira aplicação inseticida (como o Voliam Targo, por exemplo), repetindo obrigatoriamente 30 dias depois”, diz o técnico da Syngenta.

Leia também:

+ Broca-do-café: como combater a praga em lavouras de conilon

+ Produção de cafés especiais cresce 15% ao ano no Brasil

+ Produção de café conilon deve crescer 17,5% no ES

 

 

VEJA MAIS

VÍDEOS

Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!