Bicudo pode causar perdas totais no algodão. Saiba como controlar

Sem o manejo adequado, praga pode devastar de 75% a 100% da lavoura, segundo a Abrapa

30/01/2018 16:56:00

Atualizado:

05/02/2018 12:32:58

 

Principal praga que ameaça as lavouras de algodão do país, o bicudo pode causar perdas de 75% a 100% na produção. A informação é Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Para evitar o estrago, a alternativa é investir pesado no controle.

Segundo a entidade, o produtor gasta de R$ 350 a R$ 750 por hectare com estratégias para supressão do inseto – de 6% a 10% do custo total de produção, estimado em R$ 7.500 por hectare. "O produtor não tem escolha, ou ele investe, ou amarga prejuízos que podem ser totais nas lavouras", diz o diretor-executivo da associação, Marcio Portocarrero.

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O gerente da cultura de algodão da Syngenta, Wagner Janjacomo, reforça a importância das medidas de controle. De acordo ele, o manejo focado e a união entre produtores e instituições de pesquisa fez com que a pressão do bicudo reduzisse e a cultura pudesse continuar viável. "É fundamental que o produtor tenha a visão de que o controle da praga passa por manejos integrados. Desde manejos culturais, como destruição de soqueiras e tigueras eficientes, transporte de caroço sem disseminação de sementes nas margens de estradas e rodovias, e controle químico com produtos de alta eficiência", explica.

Como controlar

O bicudo do algodoeiro surgiu no Brasil há mais de 30 anos. De 1983 e 1993, o inseto dizimou boa parte das lavouras de algodão do país, que totalizavam 3,5 milhões de hectares. Com isso, o país passou a ser o maior importador mundial da fibra. "O algodão era cultivado com baixa tecnologia e pouca produtividade. A entrada do bicudo, aliada à falta de experiência, acabou com 80% das lavouras em uma década, chegando a 800 mil hectares", diz Márcio Portocarrero. A partir de 2002, a cultura começou a se recuperar com mais tecnologia e qualidade. Hoje, a área plantada é de aproximadamente 1,13 mil hectares.

De acordo com o executivo, como não é possível eliminar a praga, é preciso conviver com ela e mantê-la sob controle. O bicudo se prolifera muito rapidamente. Segundo a Embrapa, a cada 50 fêmeas surgem 500 mil adultos. Por isso, Portocarrero destaca as principais estratégias para controlar a infestação:

- monitoramento constante: normalmente, as propriedades onde se planta algodão contam com uma equipe de "pragueiros" que fazem varreduras diárias no talhão. São profissionais treinados para identificar o ataque de bicudos desde o início,

- eliminação de plantas no pós-colheita: existe uma legislação que determina a eliminação de todas as plantas de algodão na lavoura após a colheita. Além disso, o agricultor é obrigado a retirar plantas das margens das lavouras e das estradas por onde o algodão é transportado. "O bicudo só se alimenta do algodoeiro. Não pode restar nada para que ele se desenvolva", diz,

- aplicação de inseticidas: deve ser feita assim que o problema é identificado, de acordo com as recomendações de um técnico.

Tecnologia

Segundo Wagner Janjacomo, o mercado hoje oferece poucas opções de produtos registrados de alta eficiência para o manejo químico do bicudo do algodoeiro. O pacote tecnológico oferecido pela Syngenta considera o manejo com vários modos de ações, buscando entregar controle e sustentabilidade. Veja a a recomendação do especialista:

- Actara: produto do grupo dos neonicotinóides (grupo químico de baixo impacto em inimigos naturais), posicionado nas primeiras aplicações para controle de bicudo, até os 60 dias de emergência da planta. Controla também pulgões e mosca-branca.

- Polytrin: relançado em 2017, é recomendado para aplicações a partir dos 60 dias da planta emergir. Também oferece controle de ácaros.

- Engeo Pleno: produto multiculturas, indicado principalmente para lavouras de soja, milho e algodão. A aplicação deve ser feita a partir dos 60 dias de emergência da planta, alternando com o Polytrin.

VEJA MAIS

VÍDEOS

Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!