Café: troca de sacas por insumos é bom negócio para produtor

Operações de barter oferecem juros menores e dispensam crédito em banco para comprar defensivos, diz executiva

05/04/2018 09:45:36

 

Cada vez mais disseminadas no agronegócio, as operações de barter são uma alternativa aos produtores para evitar os altos juros bancários na contratação de empréstimos destinados à compra de insumos. A tradução do termo em inglês significa “permuta” ou “escambo”. Por meio desta modalidade, o produtor paga pelos insumos com sacas do produto que será colhido. A Associação Nacional de Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) estima que o negócio corresponde a 30% da receita das empresas do setor no país.

Hoje, 70% das vendas de insumos para a cultura do café na Syngenta são feitas por meio do barter. Aproximadamente 2,2 mil cafeicultores aderiram e mais de 4 mil estão cadastrados no programa oferecido pela Nutrade - braço da Syngenta criado para esse tipo de operação. Segundo a gerente desta trade, Roberta Armentano, uma das vantagens para o produtor é a estabilidade dos preços que serão pagos. "O agricultor não precisa se preocupar com a oscilação de moeda e de mercado na Bolsa de NY, ou de Londres (que regulam os preços de café). Em qualquer cenário de mudança, para cima ou para baixo, ele está protegido", diz a executiva. De acordo com ela, o custo dos insumos representa 5% do valor total investido na lavoura de café. 

A Nutrade já negociou 330 mil sacas de café que serão pagas pelo produtor depois da colheita. A expectativa é chegar a 600 mil sacas contratadas nos primeiros seis meses deste ano. "O agricultor que fechar negócio neste primeiro semestre, só vai pagar em sacas de café em agosto de 2019, com o preço praticado hoje", afirma Roberta. Segundo ela, o café é avaliado pelo melhor preço praticado no mercado porque o objetivo é oferecer maior valor agregado na commodity ao produtor.

Recentemente, a Nutrade também começou a fazer operações de barter para soja. A expectativa é que, ao longo deste primeiro ano do programa, cerca de 400 mil toneladas da oleaginosa sejam trocadas por defensivos da Syngenta. "Em nossa visão, o barter é uma excelente forma de financiamento, pois os juros são menores e o agricultor não precisa contratar crédito em banco para comprar os defensivos", diz Roberta. A executiva esclarece, no entanto, que a Syngenta não está se tornando uma exportadora com esse tipo de operação. "Não somos concorrentes para outras tradings que compram a commodity, somos apenas parceiros de negócio", afirma.

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Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!