Cigarra-do-cafeeiro: praga barulhenta causa estragos na lavoura

O inseto aparece principalmente na primavera e suas ninfas sugam a seiva da planta, causando perdas na produtividade

25/10/2017 12:56:15

Atualizado:

01/11/2017 19:28:51

Syngenta

Todos os anos, juntamente com as flores da primavera, chega a cantoria estridente das cigarras. Se para muitos o som pode ser agradável por remeter à natureza, para os cafeicultores o barulho é sinal de problemas. “Estes insetos atacam uma grande diversidade de árvores e entre elas está o cafeeiro, sendo a cigarra considerada uma praga chave para a cultura”, explica Luiz Henrique Fernandes, técnico do mercado de café da Syngenta.

Os gêneros mais comuns de cigarras que atacam pés de café são Quesada, Fidicina e Carineta. Cada uma delas possui particularidades que as fazem diferentes umas das outras. O gênero Quesada apresenta as cigarras maiores, que medem cerca de 6-7 cm, e são mais facilmente encontradas atacando o cafeeiro. Em seguida vem o gênero Fidicina com 4 cm, e o gênero Carineta, o menor entre eles, com apenas 1,8 cm. Além disso, sabe-se que os machos possuem cantos diferentes entre si, sendo esta uma importante ferramenta para atrair as fêmeas na época das revoadas para o acasalamento.

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Tais revoadas também acontecem de forma escalonada, dependendo do gênero: Quesada, de agosto a novembro; Fidicina, em dezembro; e Carineta, de fevereiro a março. “É importante conhecer o período de suas revoadas a fim de basear o posicionamento correto para aplicação do inseticida via solo e com isso obter alta eficiência no controle”, diz Fernandes.

A origem da praga 

Geralmente as cigarras que atacam o cafeeiro surgem de áreas de abertura para novos plantios, principalmente em solo de Cerrado ou áreas de floresta. Ela migra das árvores cortadas para as plantas de café, que viram seu novo hospedeiro. Tudo começa com o canto dos machos, seguido pelo acasalamento e logo após isso, as fêmeas colocam seus ovos nas cascas presentes no tronco do cafeeiro.

Após eclodirem, as ninfas descem ao solo, penetram no chão e se fixam às raízes, próximo ao tronco, nelas introduzindo o “estilete”, parte pontuda da região da boca das cigarras, para sucção da seiva que desce pelo floema (seiva elaborada). Ali, as ninfas constroem galerias no solo, ficando alojadas bem próximas das raízes por um período de 1 a 2 anos, sugando a seiva elaborada. Esta fase é denominada como fase de “ninfa móvel”.

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Após este tempo, quando é chegada a hora da ninfa se transformar em adultos, elas cavam furos até a superfície do solo, saem e se fixam ao tronco por um curto período de tempo (cerca de 2 horas), sendo este definido como período de “ninfa imóvel”. Terminada essa fase, o inseto troca sua casca, emergindo então uma cigarra adulta, deixando aderido ao tronco sua antiga casca chamada “exúvia”. O inseto adulto possui asas e após chegar ao seu tamanho definitivo, voa em busca do seu parceiro para o acasalamento. Esta fase de inseto adulto constitui-se de um período relativamente curto, de poucos dias de vida.

O problema no café

É durante a fase de ninfa móvel, em que ela fica sugando a seiva das raízes,  que as cigarras causam danos ao cafeeiro. Para saber se a planta está sendo atacada é preciso ver embaixo do solo. “Em áreas infestadas, ao se fazer uma pequena trincheira próximo ao tronco do cafeeiro pode-se encontrar centenas de ninfas de cigarras sugando as raízes, número este que pode variar de 300 até 1000 ninfas por planta”, conta Luiz Henrique Fernandes.

Como sintomas, o pé de café apresenta fraqueza na parte aérea, com amarelecimento e deficiências nutricionais nas folhas, ramos secos e baixa produção. “É imprescindível o controle desta praga evitando-se tais prejuízos e a forma mais eficiente de controle vem por meio da aplicação de inseticidas via solo”, explica o especialista.

Para o controle da cigarra-do-cafeeiro, a Syngenta possui as melhores soluções. “Os produtos Verdadero, posicionado na dose de 1,0 kg/ha aplicado em outubro, e sequencial com Actara 250 WG em fevereiro, na dose de 1,2 kg/ha, oferecem controle eficiente da praga”, aponta Fernandes. Ambas as aplicações são feitas via solo, aplicados tanto com a barra beckini (áreas mecanizadas) ou com pulverizador costal adaptado, indicado para áreas de montanha. Tais produtos, além de serem altamente sistêmicos, aumentando a eficiência de controle, promovem o maior desenvolvimento radicular do cafeeiro pela ação bioativadora do Tiametoxam, o que aumenta o vigor da planta e, consequentemente, a produtividade do cafeeiro.

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