Como fazer o melhor controle de percevejos na lavoura de soja

Inseto pode gerar quebra de até 30 sacas por hectare, segundo especialista

23/01/2018 16:00:14

Atualizado:

24/01/2018 17:40:05

O percevejo está presente em praticamente todas as lavouras de soja do país. A espécie Euschistus heros (E. heros), conhecida como percevejo-marrom, é a mais comum e aparece com frequência nos cultivos do norte do Paraná ao centro-oeste do país, de acordo a Embrapa. Em alguns casos, o inseto pode ser mais agressivo do que a lagarta, umas das pragas mais temidas pelos agricultores. 

O impacto na qualidade do grão e no rendimento da lavoura com o percevejo é considerável. O inseto suga a seiva da planta e se alimenta preferencialmente de vagens e grãos. Isso prejudica o enchimento dos grãos, diminuindo seu peso, e consequentemente a rentabilidade da lavoura. “A queda de produtividade pode chegar a 30 sacas de soja/ha”, diz o diretor de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta, Leandro Martinho. O número é significativo, se considerada a média de produção das lavouras de soja no Brasil, de pouco mais de 50 sacas por hectare.

Um dos motivos da concretização dos prejuízos é a demora em detectar a infestação, já que os danos não são percebidos imediatamente, só na colheita – diferentemente do ataque de lagartas, que provocam a desfolha e a queda das vagens, o que é facilmente notado pelo produtor atento. Com o manejo integrado, é possível definir se a incidência da praga deve preocupar ou não. A  orientação da Embrapa é que o nível de alerta exista quando são encontrados mais de dois percevejos por metro de linha de soja.

Controle 

O percevejo é capaz de sobreviver na palhada da lavoura por meses sem se alimentar. Os nutrientes que o inseto suga das plantas durante a safra ficam armazenados no organismo para que sobreviva por longos períodos. De acordo com pesquisadores, o percevejo multiplica-se em quatro gerações a cada safra. Três se desenvolvem durante o cultivo da soja e a quarta no pós-colheita, quando o inseto se alimenta de plantas hospedeiras.

De acordo com Martinho, a melhor forma de controlar percevejos é considerar o manejo do sistema soja-milho e não as culturas isoladas.  “A orientação é tratar as sementes do milho, realizar aplicação foliar específica, controlar as ervas daninhas (que são hospedeiras do percevejo) na entressafra e repetir o processo na soja”, explica. Martinho ainda sugere o uso de alguns produtos do portfolio da Syngenta: Cruiser e o Fortenza Duo para tratamento de sementes e o Engeo Pleno para aplicação foliar. Neste último caso, a orientação é aplicar com níveis de dois a três percevejos por batida de pano.

Outra dica importante para garantir a eficácia da aplicação é respeitar o horário indicado. É recomendável evitar o trabalho à noite, pois quanto mais quente estiver o clima, maior a chance de atingir o inseto. “Nas horas de aumento da temperatura é o melhor momento para controlar, por causa da maior exposição da praga”, diz Martinho.

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Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!