Condições climáticas impõem novo ritmo à safra em todo o país

A situação é mais crítica no sul do Rio Grande do Sul, onde há estimativa de queda na produção por causa da estiagem

26/03/2018 16:09:10

Atualizado:

01/04/2018 19:50:27

 

As condições climáticas estão impondo novo ritmo para a safra de grãos em todo o país. Enquanto os produtores gaúchos sofrem com a estiagem, no Mato Grosso do Sul e nas regiões Oeste e Norte do Paraná a situação é outra: a chuva em excesso obrigou os agricultores a plantarem com atraso e, consequentemente, colherem também mais tarde.

A situação é mais crítica no sul do Rio Grande do Sul, onde a seca castiga as lavouras, que correm o risco de não vingar. Segundo o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento, o longo período de seca, especialmente na região conhecida como Campanha, se deve ao resfriamento das águas do Oceano Pacífico – mesmo fenômeno que está afetando a safra Argentina.

Levantamento divulgado na primeira quinzena de março pela Emater/RS estima queda de 9,16% na produção total dos principais grãos de verão em relação à safra passada: arroz (-1,76%); feijão (-8,82%); milho (-23,82%) e soja (-7,83%). Os dados são preliminares, pois o percentual de área colhida no estado ainda é baixo.

No caso da soja, por exemplo, apenas 20% das áreas de plantio do RS estavam na fase de colheita em 19 de março. Quem afirma é Laércio Hoffman, da área de desenvolvimento técnico de mercado (DTM) da Syngenta no Rio Grande do Sul. “A estiagem ainda pode causar mais danos em algumas regiões do que os registrados até o momento”, diz.

No entanto, de acordo com Hoffman, o contrário também pode acontecer, pois a distribuição, a frequência e a intensidade das chuvas tiveram muitas variações em todo o estado. A região de Pelotas deve ser uma das mais afetadas, com redução de 31,26% na produtividade estimada. “Esta área é a que mais vem sofrendo com o estresse hídrico e já tem perdas irreversíveis, mesmo se as chuvas retornarem”, afirma.

Safrinha vai “pagar a conta”

No Cerrado e nas regiões Oeste e Norte do Paraná, a colheita da soja já está bastante avançada, apesar das chuvas. Nestes lugares, o cenário é um pouco mais promissor, mas ainda com algum impacto. Segundo Jairo Luiz de Oliveira, DTM da Syngenta Mato Grosso do Sul, embora a produtividade da soja não tenha sido afetada, o milho safrinha vai “pagar a conta”.

“As chuvas regulares foram eficientes e a fase reprodutiva foi muito boa para a soja. Mas com o atraso para plantar o milho, a lavoura pode enfrentar períodos de estiagem e geadas no inverno”, diz. De acordo com Jairo, normalmente 95% do milho já estaria plantado no Mato Grosso do Sul nesta época do ano, mas até 19 de março estava em apenas 65%.

Um dos efeitos dos atrasos causados pelo clima é a alteração do cenário de pragas e doenças. A recomendação aos produtores que estão plantando milho fora do prazo é cuidar bem das pragas iniciais, como percevejo, e fazer um bom manejo fitossanitário das áreas plantadas, especialmente nas que estão em fase de fechamento, quando as doenças tendem a aumentar. “A aplicação de um bom inseticida nas sementes e nas plantas é fundamental, como o Engeo Pleno contra os percevejos e o Ampligo para as lagartas. Além disso, um fungicida da classe do Priori Xtra também é recomendável”, afirma.

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