Ferrugem, mancha-alvo e antracnose: como evitar perdas na produção

Na região do Cerrado, ocorrências mais frequentes são nos plantios finais, a partir da segunda quinzena de janeiro

27/02/2018 10:30:37

Atualizado:

27/02/2018 14:41:40

 

Quando se fala em doenças da soja, a palavra que vem à mente do produtor é "ferrugem asiática" - ou ferrugem da soja. Ela já é considerada uma das mais severas, porque se espalha rapidamente e tem alto potencial destrutivo. O levantamento mais recente do Consórcio Antiferrugem aponta para 440 casos em todo o país. O Paraná lidera em número de registros (109), seguido do Rio Grande do Sul (99), Mato Grosso do Sul (59) e Mato Grosso (51).


Na região do cerrado, as ocorrências são mais frequentes nos plantios finais, a partir da segunda quinzena de janeiro. A preocupação entre os agricultores da região é com a perda de eficiência dos produtos usados para o controle do fungo. "De dez produtos que nós tínhamos, hoje apenas dois ainda funcionam. E se o princípio ativo não é capaz de agir, as perdas nas lavouras podem chegar a 100%", afirma Marcos da Rosa, vice-presidente da Fundação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (FAMATO) e também presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil). 
 
Para saber como os agricultores podem agir contra a ferrugem e outras doenças que afetam a cultura da soja no cerrado, conversamos com o fitopatologista Ivan Pedro Araújo Jr. De acordo com o pesquisador da Fundação MT, as extensas áreas produtoras, a influência do clima e as sobras de plantas tigueras após o vazio sanitário são alguns dos fatores que colaboram para que os esporos dos fungos se espalhem e encontrem hospedeiros para desenvolver a doença. "Com o tripé clima, hospedeiro e patógeno, temos as condições ideais para a doença”, diz.


Ferrugem da soja

É a maior preocupação, porque é a doença de mais difícil controle e com maior potencial de perdas. "Depois de instalada, ela tem uma progressão muito rápida e em condições ideais atinge caráter de epidemia. Em uma semana, pode afetar 80% da lavoura", explica. O pesquisador dá dicas para estratégias de manejo: atenção à época da semeadura (respeitar as janelas de plantio); escolher corretamente as cultivares (dar preferência a tecnologias de ciclo mais precoce); planejar o programa de fungicidas efetivo para cada material (usar fungicidas de boa eficácia); e inserir programas de aplicação de protetores com estratégia de manejo de resistência.

Antracnose

O fungo vem crescendo no cerrado porque há poucas ferramentas efetivas no manejo. De acordo com o fitopatologista, o controle precisa ser feito com várias práticas integradas. "Tudo começa com a rotação de culturas. O tratamento de sementes é fundamental. E na hora da semeadura, o agricultor precisa respeitar a indicação de espaçamento das plantas e trabalhar com a população ideal, segundo cada material", explica. O pesquisador alerta que o manejo químico a campo ainda tem limitações, por isso é difícil atingir o alvo em determinadas fases da planta. "Se não houver o controle inicial, as perdas com a antracnose podem ser consideráveis", afirma.

Mancha alvo

Se nos primeiros plantios da soja a incidência de ferrugem é baixa, é nessa fase que a mancha alvo ataca. O fungo provoca um sintoma na planta - uma mancha que lembra o desenho de um alvo. A principal consequência é a desfolha precoce, que compromete o enchimento do grão. "A mancha alvo acontece nos primeiros plantios, após o vazio sanitário, por isso é preciso ter muita atenção às plantas tigueras porque elas são o hospedeiro para os esporos do fungo", explica o pesquisador. A evolução da doença é mais lenta, mas os danos são severos se não for controlada. As dicas do fitopatologista são: escolher uma cultivar adequada com tolerância genética; no manejo do sistema, usar fungicidas com boa especificidade para o patógeno; e complementar a proteção com os fungicidas multisitios.

Estratégias para o produtor

O Gerente de Desenvolvimento técnico de mercado  (DTM) para o Cerrado da Syngenta, Danilo Cestari, reforça que os danos nas lavouras podem ser bastante relevantes. Segundo ele, a ferrugem pode devastar a plantação, enquanto a mancha alvo, em casos severos, pode provocar um importante prejuízo. "A antracnose se manifesta como doença silenciosa, que pode causar estragos sem que o produtor perceba, pois ataca diretamente os órgãos reprodutivos (flores e vagens). Muitas vezes não vemos a doença de forma tão nítida como a mancha alvo e a ferrugem, mas a redução de produtividade é considerável", afirma.

Para proteger a soja, Cestari recomenda aplicar o primeiro fungicida no período vegetativo, cerca de 30 dias após a emergência. "O Score Flexi é uma mistura de dois triazóis que possuem um amplo espectro de controle de manchas que ocorrem no início do cultivo", explica.


Já no fechamento de linhas ou no máximo 45 dias após a emergência, é hora de fazer a aplicação de um produto robusto, para assegurar o controle da doença. “O Elatus, da Syngenta, é recomendado para essa fase, pois atua de modo preventivo ao problema”, diz. A eficácia do produto é potencializada, com a associação de outro fungicida. “ O Cypress intensifica o efeito para ferrugem e aumenta o espectro de ação para todo o grupo de doenças que atacam a soja”, afirma Cestari. 

Já na finalização, 14 dias após a primeira aplicação de Elatus e Cypress, é recomendado usar novamente Elatus associado a um fungicida protetor. "Essa aplicação irá proteger a planta na fase final do enchimento de grãos", diz.

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Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!