Helicoverpa armigera ataca soja transgênica em Goiás

Testes mostram que lagarta adquiriu resistência à tecnlogia Intacta RR 2 Pro; segundo pesquisador, deve ser o primeiro caso no Brasil

23/11/2017 16:48:50

Atualizado:

27/11/2017 15:44:29

 

Testes feitos pela empresa detentora da tecnologia Intacta RR 2 Pro e pela Fundação Chapadão comprovaram que a Helicoverpa armigera estava se alimentando da proteína em uma lavoura em Chapadão do Céu (GO), ou seja, havia adquirido resistência. O pesquisador Germison Tomquelski acompanhou o processo e diz que o aparecimento da lagarta é normal, mas desta vez as pragas estavam muito desenvolvidas. "Este é, provavelmente, o primeiro caso registrado no Brasil", diz.

Esta é a quarta safra em que a tecnologia Intacta RR 2 Pro é comercializada e, até agora, havia controlado os ataques sem a necessidade de aplicações de inseticidas. Mas nesta lavoura, em Chapadão do Céu, foi preciso fazer uma aplicação de Benzoato de Emamectina para combater a infestação.

Graças à ação do inseticida, três semanas depois, a população de lagartas nos dois talhões é quase zero e o risco foi reduzido consideravelmente. A região de Chapadão do Céu, que inclui Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, é uma das primeiras a iniciar o cultivo de soja no país. Por isso, o pesquisador alerta que mais ocorrências ainda podem surgir em áreas de plantio em outros estados. "Agora, a principal medida para quem tem lavouras com biotecnologia é intensificar o monitoramento, passando de uma para duas vezes por semana", afirma Tomquelski.

Além de escolher cultivares adequadas para o clima e o solo, o agricultor precisa observar o desenvolvimento das plantas com monitoramento constante e usar produtos químicos quando for necessário, sempre com o acompanhamento de um engenheiro agrônomo. O gerente de inseticidas da Syngenta Aimar Pedrini lembra que a biotecnologia é uma importante ferramenta para o controle de lagartas e ajuda muito na busca da melhor proteção do potencial produtivo da soja.

Porém, ele alerta que se não for usada corretamente, pode perder a eficácia em poucos anos, como já aconteceu nas primeiras gerações de tecnologia BT para milho e algodão. “Para lavouras de soja BT, além da adoção das áreas de refúgio, a sugestão seria aplicar os mesmos cuidados que o produtor tem com uma variedade convencional, adotando um monitoramento constante e uso de inseticidas quando necessário, pois sabemos que esta tecnologia não controla todas as espécies de lagartas”, diz Pedrini.

Benzoato de emamectina

A lagarta Helicoverpa armigera surgiu no Brasil na safra 2013/2014, quando as lavouras de algodão sofreram prejuízos de R$ 10 bilhões. A tecnologia Intacta RR 2 Pro oferece supressão da espécie sem a necessidade de aplicação de inseticidas. Além do uso da biotecnologia, os produtores buscam outras soluções no combate à lagarta.

A cada safra, os produtores de soja e algodão de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Bahia e Piauí têm conseguido autorização do Ministério da Agricultura para o uso emergencial do Benzoato de Emamectina, substância que ainda não tem registro definitivo no país e está sendo aplicada em condição de “uso emergencial”. Segundo Aimar Pedrini, o produto é uma excelente solução para a resolver o problema da Helicoverpa.

Em breve, a Syngenta deve oferecer esta solução aos agricultores de todo Brasil. A empresa está em fase final de registro definitivo do produto. “Além de ser altamente seletivo para os inimigos naturais das lagartas, apresenta alta eficácia no controle da praga”, afirma.

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