Lagarta-do-cartucho: como controlar a principal praga do milho

Segundo pesquisador, biotecnologia não é suficiente para contornar o problema e produtor deve recorrer a defensivos quando necessário

26/03/2018 17:51:44

Atualizado:

02/04/2018 11:13:09

 

Normalmente, o produtor de milho precisa se preocupar com diversas espécies de lagartas que atacam a cultura. Logo após a emergência das plantas, surgem a lagarta-elasmo e a lagarta-rosca. A lagarta-militar aparece quando as folhas estão em estágios mais avançados. Já na espiga, o ataque é da broca-da-cana. E em todas as fases da cultura, incluindo a reprodutiva, está a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). "É a principal praga, independentemente do tipo de milho", diz Ivan Cruz, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

Segundo Cruz, esse tipo de lagarta exige medidas de controle todos os anos. "Infelizmente, muitas vezes a tomada de decisão é feita tardiamente, quando a população de larvas está acima do nível de dano econômico (NDE)", afirma o pesquisador. O NDE é a densidade populacional da praga capaz da causar prejuízos com o mesmo valor dos custos de controle.

Estudos da Embrapa indicam que uma lavoura infestada pela Spodoptera pode perder mais de 30% da produção. A lagarta-do-cartucho tem grande potencial reprodutivo e mais de 100 plantas como hospedeiras, por isso sobrevive o inteiro e pode atacar em qualquer estágio da lavoura. De acordo com Ivan Cruz, o problema pode ser reduzido com o uso de biotecnologia resistente às lagartas. "No entanto, a crença de que somente a tecnologia é suficiente não está se confirmando, pois existe variação entre as diferentes cultivares. É preciso fazer o manejo estratégico de pragas (MEP) e entrar com defensivos quando necessário", diz.

Pressão crescente

A pressão da Spodoptera tem aumentado cerca de 20% ao ano, de acordo com levantamento do instituto de pesquisa Spark. Segundo a gerente de inseticidas da Syngenta, Andressa Lemos, a perda de eficiência das biotecnologias que oferecem supressão das lagartas vem provocando uma mudança de atitude do agricultor. "Nós notamos que o produtor já voltou a fazer aplicações de forma sistemática para o controle, mesmo usando a biotecnologia que promete resistência. Se ele não recorrer a ferramentas químicas, vai perder produtividade", afirma.

O número de aplicações, que passou a ser zero quando as biotecnologias com resistência a lagartas foram lançadas, já está em 1,5, em média, diz Andressa. "A Spodoptera é uma praga muito agressiva, que pode quebrar a produtividade em até 60%, então o controle dela é fundamental”.

Entre as soluções que o agricultor encontra no mercado, está o Ampligo. "É uma combinação de dois diferentes grupos químicos que permite efeito imediato e também residual, o que garante controle mais eficaz da lagarta, além de ser a melhor estratégia de manejo de resistência", explica. Segundo Andressa, este ainda é o único produto capaz de controlar a população adulta da Spodoptera, o que é importante para o sistema de produção.

A tecnologia deve ser aplicada na folha em até 30 dias após a emergência quando houver lagartas na lavoura. "Hoje, temos de alertar o produtor que o controle químico é a chave pra manter os níveis de produtividade”, afirma a executiva. “Ampligo alia tecnologia de alta eficácia a uma relação custo-desempenho muito boa, adequada ao manejo que o produtor precisa para buscar mais produtividade". 

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