Manejo pré-plantio: a receita para combater o capim-amargoso

Incremento de produtividade com programa de controle da daninha pode superar 10 sacas/ha

04/01/2018 17:23:04

Atualizado:

10/01/2018 14:32:24

Araucária Consultoria

*Na foto, duas áreas de teste em Sorriso (MT). À esquerda, soja pronta para a colheita, cujo protocolo Lavoura Limpa assegurou área totalmente livre de capim-amargoso. À direita, o verde na plantação mostra a infestação da daninha.

 

O uso contínuo de produtos com o mesmo mecanismo de ação para controlar plantas daninhas sem a adoção de práticas de manejo para prevenir a resistência é a principal causa do surgimento e multiplicação de plantas resistentes a herbicidas no Brasil, onde a infestação por capim-amargoso representa hoje ameaça à produtividade da soja

Pesquisas conduzidas por entidades como a Embrapa demonstram que de 1 a 3 plantas de capim-amargoso por metro quadrado reduzem a produtividade em 24%. Se a infestação for de 4 a 8 plantas, a perda de produtividade chega a 45%. 

Adaptável a climas e solos variados, o capim-amargoso se desenvolve facilmente no Cerrado brasileiro. Embora  inicialmente tenha crescimento lento, 45 dias depois da germinação, suas raízes formam rizomas – touceiras –, que dificultam o controle e competem com a cultura. Além disso, produz muita semente, o que facilita sua dispersão.

“A adesão de estratégias de manejo abrangendo um maior número de herbicidas – com mecanismos de ação diferentes, aplicados em associação, sequencial ou rotação, em momentos diferentes – tem maiores possibilidades de sucesso no controle do capim-amargoso, principalmente quando a planta já possui resistência”, afirma o engenheiro agrônomo Aldo Rezende, do Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta em Rondonópolis (MT). “Nós temos de caprichar no manejo das daninhas antes da cultura da soja emergir. É nesse momento que se ganha o jogo”, diz.

O Programa Lavoura Limpa, da Syngenta, para controle de capim-amargoso tem eficiência de 90%, enquanto o padrão do produtor nas áreas testadas não passa de 69%. “Isso significa, em termos de produtividade, um incremento de até 10,1 sacas/ha”, afirma Rezende.

Nos últimos anos, muitos produtores têm usado apenas o glifosato para fazer o controle de daninhas. “Como a molécula é altamente eficaz no controle de um amplo espectro de daninhas, a prática se tornou comum. No entanto, essa repetição acabou por criar resistência das daninhas a glifosato, e hoje o produtor tem dificuldade em controlar o capim amargoso e perde produtividade em razão da mato-competição”, explica o engenheiro agrônomo.

O primeiro passo para combater o capim-amargoso entouceirado é fazer a dessecação antecipada de 15 a 20 dias antes do plantio da soja, usando cletodim + glifosato. “Normalmente, o produtor desseca (aplica herbicida) cinco a três dias antes da semeadura, mas deve antecipar esse procedimento. Após a primeira aplicação, sobram muitas daninhas no campo. Dessa forma, no pré-plantio, é hora de entrar com a aplicação sequencial, combinando um produto de contato e um de pré-emergência. Assim, a área estará limpa no momento em que a soja emerge”, diz o técnico da Syngenta.

O Lavoura Limpa prevê o uso de Gramocil (produto de contato) e de Dual Gold (pré-emergência). Gramocil complementa a aplicação feita antecipadamente, principalmente em áreas que já há capim entouceirado, para diminuir o rebrote. Já o Dual Gold garante residual para controlar as sementes que estão no solo e impedir que emerjam e criem novas plantas, que vão se entouceirar no futuro”, afirma Rezende.

Diversos pesquisadores relatam a importância  do uso de herbicidas pré-emergentes ou residuais para o controle e manejo de resistência de plantas daninhas que apresentam difícil controle. Normalmente, esses herbicidas apresentam mecanismos de ação diferentes dos herbicidas utilizados em pós-emergência, permitindo o desenvolvimento inicial da cultura no terreno limpo e facilitando o manejo na pós-emergência porque a presença de daninhas diminui e porque as que surgem estão em estágio de desenvolvimento retardado no momento da aplicação.

Por fim, já na fase pós-emergência, cerca de 20 a 25 dias após a emergência da cultura, é o momento de fazer o controle final, eliminando as daninhas que ainda permanecem na área com glifosato + cletodim (se necessário). “Para essa etapa, a Syngenta oferece o Zap QI”.

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