Mato Grosso: a história do principal produtor brasileiro de soja

Em quase quatro décadas, produção alcançou 30,5 milhões de toneladas e 9,4 milhões de hectares

26/02/2018 16:18:24

Atualizado:

27/02/2018 14:34:15

 

O relato entre as famílias que chegaram em Mato Grosso na década de 1970 é muito semelhante: um lugar inóspito, com pouca infraestrutura e terra a perder de vista no horizonte. Foi assim que a família do Marcos da Rosa encontrou o estado quando chegou a região de Canarara, em 1976. "As dificuldades de logística eram grandes, se usava caules de árvores como pontes, e tudo era muito longe - até pra comprar insumos ou máquinas", conta o produtor rural que hoje também é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja-Brasil). 

A grande extensão das áreas e a topografia favorável para a agricultura motivaram os agricultores a migrarem, principalmente do Rio Grande do Sul. "O empreendedorismo  dessa gente que desbravou o Mato Grosso fez o estado crescer e tornar-se uma potência produtora", diz Rosa. No primeiro levantamento oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no ciclo 1992/1993, havia 2,7 milhões de hectares (ha) de lavouras e a produção chegava a 5,9 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Nesta safra, são 9,4 milhões de hectares de cultivo e estimativa de 30,5 milhões ton de soja. 

Clima e tecnologia

O solo do Mato Grosso é típico do cerrado - ácido e com poucos nutrientes. "Sem a interferência humana, esses solos apresentam capacidade de produzir muito baixa. Por isso, era difícil acreditar que o estado se tornaria um dos principais produtores mundiais", afirma o pesquisador da Fundação Mato Grosso, Leandro Zancanaro. Mas a regularidade de chuvas, característica do cerrado, é o maior ponto a favor. "É possível fazer a correção do solo quando a condição química não é adequada. Mas as condições climáticas, isso não se compra nem se muda", pondera o pesquisador. 

Para ele, o salto de produção começou quando o agricultor passou a fazer mais de uma safra no ano agrícola. "Com a exigência de plantar mais, os programas de melhoramentos genéticos foram desenvolvendo mais variedades de sementes que se adequassem ao solo do cerrado e com ciclos mais curtos e de alta produtividade", explica Zancanaro. 

Desafios para o produtor

A média de produtividade entre os agricultores de Mato Grosso tem girado em torno de 50 sacas por hectare (ha). É um número muito maior que o registrado há 30 ou 40 anos. "Naquela época, o produtor colhia 30 sacas/ha", lembra o presidente da Aprosoja-Brasil. Marcos da Rosa destaca que, nessa época, o custo de produção não passava de 15 sacos/ha e hoje está em quase 50 sacos/ha. "O grande desafio do produtor de Mato Grosso é baixar os custos para manter a rentabilidade. E uma das maneiras para isso acontecer é o maior investimento em infraestrutura e logística", conclui.

Já para o pesquisador da Fundação Mato Grosso, além de logística e condições fitossanitárias, quem planta no estado precisa vencer outros desafios também. "Os produtores precisam desenvolver estratégias que conciliem o resultado a curto, médio e longo prazo. E devem aceitar e praticar que cada ambiente de produção tem a sua aptidão agrícola. Assim, o planejamento agrícola deve respeitar essas aptidões". 

Tecnologia para aumentar a produtividade

A Syngenta é uma das empresas que teve papel relevante neste histórico de evolução do cultivo de soja no estado. O diretor da Unidade Cerrado, Cláudio Linhares, destaca que apesar da média de produtividade da soja no estado ser por volta de 50 sacos/ha, alguns produtores conseguem colher 70 ou 80 sacos/ha utilizando as tecnologias da Syngenta.  "Em praticamente todas as regiões do estado, temos atingido produtividade acima de 80 sacas de soja/ha, em função do uso das tecnologias para melhorar  as condições de desenvolvimento  e produção da planta". Linhares destaca que o objetivo é alcançar patamares acima de 100 sacas/ha.

O gerente de Marketing de Clientes do Cerrado, Nilson Nicoli, adiciona que a quantidade de chuvas ao longo do ano pode favorecer o aparecimento de doenças, como a mancha alvo, a ferrugem e a antracnose. "As características climáticas, que são um grande benefício para a agricultura da região, também podem representar uma forte ameaça em algumas situações.  Por isso, recomendamos o uso de tecnologias para proteger a planta", orienta.

Entre os fungicidas existentes no mercado, as sugestões são Elatus, Score Flexi e Cypress, da Syngenta. Outros produtos como as sementes de soja SYN 1687 e SYN 15640, aliadas ao tratamento de sementes Fortenza Duo, são tecnologias que contribuem para os altos níveis de produtividade alcançados, de acordo com Nicoli.

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