Milho preocupa mais que soja na safra 2017/2018

Produtividade pode ser menor, mas ganhos do produtor devem ser mantidos com a variação do dólar.

29/11/2017 15:48:05

Atualizado:

29/11/2017 16:04:52

 

A nova estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento indica queda na produção em relação aos atuais números, que são recordes. A colheita 2017/2018 deve ser entre 4,4% e 6,2% menor, resultando entre 223,3 e 227,5 milhões de toneladas de grãos. A produtividade pode ficar de 5 a 10% mais baixa em função do clima, no caso da soja, e pela redução de área ocupada pelo milho, que deve ser de 7,5 a 11,5% menor, de acordo com a Conab. A produção de soja pode ficar em 108 mi ton e a de milho, 93,1 mi ton.

Mesmo assim, a rentabilidade do produtor pode ser igual ou maior, na avaliação do especialista em agronegócio Marcos Fava Neves. "Houve uma desvalorização do real, e isso significa mais dinheiro pela mesma quantidade vendida", diz. Ele está otimista, também, com as exportações que seguem firmes e o regime de chuvas que se regularizou, possibilitando a continuidade do plantio de soja - antes atrasado em algumas regiões. 

Em Mato Grosso, maior estado produtor de soja, os agricultores estão apostando no clima para chegar perto dos números da última safra. A tendência é de leve queda na produção, somando 30,5 milhões de toneladas. Por isso, o presidente da Aprosoja-MT Endrigo Dalcin está orientando os produtores a já fecharem o custo das lavouras. "A remuneração vale a pena quando o preço está acima de R$ 65 a saca, por isso, sempre que o dólar superar esse valor, é hora de antecipar uma venda” destaca. Até agora, 32% da safra do estado foi comercializada. Mas ele alerta que os fenômenos climáticos previstos para março no sul do país e na Argentina podem "beneficiar" os sojicultores do centro-oeste, que terão grão disponível para exportar. Este ano, Mato Grosso já exportou 17 milhões de toneladas de soja, sendo 11 milhões apenas para a China, o principal comprador do Brasil.

Janela de plantio

A preocupação maior é com o milho. Em Mato Grosso, por exemplo, 30% do cereal vai ser plantado fora da janela, porque a semeadura da soja atrasou. Isso pode resultar em material de qualidade inferior e a redução de área impacta diretamente na produção. "A área diminuiu 10% no estado, e devemos produzir 6 milhões de toneladas a menos, chegando a 24 milhões de toneladas, porque o custo do milho tem assustado muito", conta Dalcin.

Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho, a estratégia de reduzir área está errada. "Não podemos mais perder espaço de milho, o mercado Internacional está precisando do produto", avalia Alysson Paolinelli. Além de mercados tradicionais, como o Irã que é o maior comprador da cultura do Brasil (5 mi ton/ano), Paolinelli chama atenção para países que estão começando a comercialização. "O México vai precisar de 14 milhões de toneladas a partir de março e o Brasil pode vender pelo menos 4 milhões desse total". Por isso, ele defende que o agricultor compense na segunda safra o que plantar a menos no verão e aposta: "O nosso milho é ótimo, seca naturalmente, é mais novo que o americano e chega ao mercado com o mesmo preço. Podemos vencer essa disputa", diz Paolinelli.

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