Perspectivas para o agronegócio brasileiro em 2018

Estudo de importante instituição financeira apresenta as previsões para as principais culturas do país

11/01/2018 12:20:17

Atualizado:

11/01/2018 12:24:09

 

O Rabobank, o maior banco cooperativo do setor de alimentos e do agronegócio do mundo, divulgou um relatório com as perspectivas do mercado agrícola brasileiro para 2018. Foram avaliadas as projeções e os cenários para diversas culturas, entre elas: soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão.

De acordo com o relatório, a implementação de ajustes macroeconômicos importantes concretizou um cenário mais positivo em 2017. Para este ano, a manutenção de políticas econômicas responsáveis e a efetivação de reformas adicionais são essenciais para a preservação da tendência de recuperação da economia. O cenário global de juros baixos e de boa liquidez tende a se manter em 2018, o que indica variações moderadas na taxa de câmbio. 

Especificamente sobre as perspectivas para as principais culturas, o relatório traz as seguintes avaliações: 


Soja
Neste ano, os Estados Unidos devem bater o recorde de produção, com 120 milhões de toneladas de soja na safra 2017/18. Já o Brasil deve alcançar a segunda maior produção de soja de sua história na temporada, com 107 milhões de toneladas. Em relação ao mercado, com o aumento da mistura mandatória de biodiesel no diesel, prevista para março de 2018, a demanda pelo grão para produção de óleo de soja deve subir. Por fim, segundo o estudo, em relação ao clima, merece atenção a crescente probabilidade de ocorrência do evento climático La Niña. Assim, vale acompanhar o desenvolvimento das lavouras da Argentina, do sul do Brasil e dos EUA durante o ano.

Milho
A produção brasileira de milho na safra 2017/18 é estimada em 88 milhões de toneladas, 10% menor que a do ciclo 2016/17. Mesmo assim, a previsão é boa, já que o consumo do milho da última safra deve ser impulsionado pelo crescimento da produção de carnes e pela demanda da nova usina de etanol no estado do Mato Grosso. Além disso, estoques em queda devem dar sustentação aos preços do milho no mercado internacional. Para o mercado, tudo indica que a definição da safrinha irá direcionar os preços do milho na safra 2017/18. O relatório aponta também a possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña, o que pode impactar na decisão de plantio pelos agricultores. 

Algodão
A perspectiva para a safra 2017/2018 é de aumento de produtividade dos principais países produtores e, consequentemente, do crescimento dos estoques globais de algodão, após dois anos de retração. Apesar disso, a perspectiva é que a tendência de redução da cotação do produto observada no início de 2018 se reverta. Isso porque há uma expectativa de inversão da posição “comprada” dos fundos não comerciais, o que pode gerar certa pressão sobre as cotações da pluma no mercado internacional no curto prazo. A recuperação econômica no Brasil, o aumento do preço do petróleo no mercado internacional e a tendência de restrição na produção de fibras sintéticas na China reforçam a tendência de alta das cotações do algodão.


Internamente, a perspectiva é que a área de algodão volte a crescer e supere 1 milhão de hectares no ciclo 2017/18, após duas safras seguidas de retração. O Rabobank prevê um aumento de 10% na produção brasileira, em relação à safra anterior, chegando a 1,7 milhão de toneladas de pluma. 

Cana, açúcar e etanol
Segundo indicações do estudo, a expectativa é por uma safra mais “alcooleira” neste ano, devido a medidas adotadas pelo governo em 2017. O aumento do PIS/COFINS de combustíveis e da tarifa de importação de etanol deve conferir maior competitividade para o produto. É importante, segundo o relatório, ficar atento às variações do câmbio e do petróleo, que podem prejudicar a competitividade da cultura.


O clima terá um papel fundamental na determinação do tamanho e da qualidade da safra 2018/19. Condições de seca em 2017 geraram preocupações a respeito da produtividade em 2018/19, mas isso ainda dependerá do clima observado no período de outubro 2017 a fevereiro 2018, quando 80% do crescimento da cana ocorre.

Café
O Brasil apresenta um bom potencial produtivo para safra 2018/19 de café. Apesar do atraso das chuvas, há uma grande expectativa de alta produção, especialmente por conta da recuperação do conilon no Espírito Santo. A estima é de uma colheita total entre 57 milhões e 59 milhões de sacas, sendo 28% conilon. Para que essa previsão se concretize, a manutenção das chuvas é fator fundamental. Modelos climáticos norte-americanos (NOAA), no entanto, indicam a possibilidade de La Niña a partir de fevereiro, o que poderia gerar diminuição no volume de chuvas.


Em relação ao consumo global, o Rabobank prevê um crescimento de 2,4%, em comparação a 2016/17. No Brasil, a recuperação econômica deve colaborar com o aumento do consumo. A volatilidade no mercado, gerada pelas incertezas quanto ao regime de chuvas, e a perspectiva de oscilação no câmbio, devido ao ano eleitoral, podem gerar oportunidades. Porém, os elevados preços de 2016 e 2017 dificilmente se repetirão.

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