Praga incomum ataca soja nas regiões de fronteira do Brasil

Percevejo da espécie Nysius simulans apareceu em cerca de 300 hectares do grão no país

26/10/2017 15:33:53

Atualizado:

21/10/2019 14:58:16

Na safra 2017/2018, produtores de soja de Mato Grosso do Sul e Paraná registraram casos pontuais do percevejo Nysius simulans, ainda pouco conhecido no Brasil. Apesar de baixa incidência - segundo fontes ouvidas, a área impactada gira em torno de 300 hectares -, a severidade dos ataques deixou os agricultores da região preocupados. "Não é nada expressivo, que gere mobilização. Mas como é bastante agressiva, a praga chamou a atenção do setor", diz Jairo Luiz de Oliveira, executivo de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta.

O inseto faz parte da classe dos hemipteras, mesma família de percevejos sugadores. Apresenta cor cinza escura e porte pequeno, medindo 4mm de comprimento e 1mm de largura. As ninfas são bem móveis no solo e com a incidência solar alta, se escondem na palhada de áreas com plantio direto e nas plantas. Durante a alimentação, o percevejo pode contaminar planta pela saliva, que tem uma toxina que causa distúrbios fisiológicos e patógenos, podendo ser transmissor de viroses. Pode apresentar população alta, de 30 ou mais indivíduos por planta. Em alta pressão, mata o vegetal, reduz o número de plantas por área e impacta diretamente a produtividade. Se a planta sobreviver, fica debilitada, apresenta menor desenvolvimento e queda na produção. Em situações severas, é preciso replantar a cultura atingida.

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Fatores como incidência de plantas daninhas, especialmente as de folhas largas, adoção do plantio direto e ausência de chuva formam o ambiente ideal para o percevejo Nysius simulans aparecer.

Ocorrências no Brasil

A espécie já é conhecida na agricultura pela presença devastadora em outros países na fronteira com o Brasil, como Argentina, Paraguai e Uruguai. Não é a primeira vez que aparece na fronteira brasileira, mas a praga nunca se espalhou nem causou danos que exigissem um monitoramento mais incisivo. "A praga é pouco estudada e conhecida por aqui. Tanto que não tem nem nome comum para ela, como o percevejo marrom (Euschistus heros)", diz Oliveira.

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O especialista da Syngenta afirma que a ocorrência da praga no Brasil não é motivo para pânico. Ainda não há informações se o percevejo vai se tornar problema ou não, mas ele não é uma praga da soja, e só foram relatados ataques em três locais no país, em regiões de fronteira com países vizinhos. Faltam pesquisas para entender sua multiplicação, biologia, e o que faz essa praga surgir na região. Para Oliveira, as ocorrências não são alarmantes e a praga não deve viralizar na agricultura brasileira. Em caso de dúvidas, a indicação é procurar um engenheiro agrônomo de confiança.

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