Produção de algodão deve chegar a 1,8 milhão de toneladas

Clima e mercado externo são os principais fatores para o aumento de produção e da área plantada

20/03/2018 16:34:28

Atualizado:

21/03/2018 08:52:39

 

Quando o plantio do algodão começou, em dezembro do ano passado, o setor não esperava colher resultados tão bons. Mas o clima ajudou – e muito. A regularidade das chuvas nas regiões produtoras fez com que o algodão se desenvolvesse e os agricultores ficassem otimistas quanto à colheita. A mais recente estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica uma produção total de 1,8 milhão de toneladas (ton) da pluma e uma área de cultivo 17% maior que no ciclo anterior, alcançando 1,1 milhão de hectares (ha).

"O clima tem se confirmado bom – talvez não para a colheita da soja – mas para o algodão as chuvas recorrentes têm ajudado bastante. Hoje a gente já fala em 1.690 quilos de pluma por hectare, o que é uma média muito boa", diz Arlindo de Azevedo Moura, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Se esse número se confirmar, a produção terá crescido 68% em dois anos, segundo a entidade.

Além do clima, a situação no mercado externo também contribuiu para que o cotonicultor arriscasse mais nesta safra. O presidente da Abrapa explica que após três anos de consumo mundial superior à produção, os estoques dos países produtores reduziram. Isso aconteceu também no principal deles, a China, que agora precisa comprar o produto. "O estoque da China não é de boa qualidade. É muito antigo. Por isso, os chineses têm de importar algodão bom e novo para fazer o blend para a indústria. E isso resultou na valorização da commodity", afirma Moura.

A necessidade de algodão de boa qualidade é a oportunidade para o Brasil vender. Por isso, a Abrapa estima que 65% do algodão colhido vai ser exportado. Entre os principais destinos estão os países do Sudeste asiático – Indonésia, Tailândia e Coréia do Sul.

 

Oferta de defensivos

Mas se falta algodão de boa qualidade no mundo, a oferta de defensivos de alta eficiência também não é grande. É o que afirma o gerente da cultura de algodão da Syngenta, Wagner Janjacomo. Segundo ele, a empresa se preparou para atender a esse aumento de área plantada. "É necessário que o agricultor tenha um planejamento mais eficiente de defensivos do que em outros anos, pois o mercado não tem a mesma condição de resposta de suprimento de defensivos que nos últimos cinco anos", diz.

De acordo com a Abrapa, os bons resultados de produtividade esperados para o algodão nesta safra é em grande parte atribuído ao manejo adotado pelo produtor. O presidente da entidade, Arlindo de Azevedo Moura, explica que o agricultor está descobrindo as vantagens de fazer a rotação de culturas. "Fazer a rotação entre soja, milho e algodão é muito bom do ponto de vista agronômico, econômico e ambiental. As culturas sucessoras aproveitam o que fica no solo, num ciclo virtuoso que otimiza o uso dos insumos", afirma.

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