Produtor deve planejar e investir em tecnologia para milho safrinha

Com janela de plantio mais curta, uma das recomendações é fazer escalonamento de híbridos para garantir produtividade

08/02/2018 14:35:33

Atualizado:

09/02/2018 11:06:17

 

Uma das consequências diretas do atraso na semeadura da soja no ano passado é a mudança na janela de plantio do milho segunda safra – o safrinha – neste verão. A janela de plantio mais curta prejudica o desenvolvimento da cultura, mas com bom uso da tecnologia, o produtor pode conseguir manter a produtividade. É que afirma o pesquisador Miguel Gontijo, da Embrapa Milho e Sorgo. "Plantar a partir da data limite da janela de cada região é assumir um risco. Para garantir a qualidade da lavoura, o agricultor precisa avaliar o investimento em produtos", diz.

Segundo o responsável pela cultura de milho na Syngenta, William Weber, uma das recomendações é trabalhar muito bem no planejamento e no escalonamento dos híbridos a serem cultivados. "Considerando a janela ideal de plantio (até final de fevereiro na maioria das regiões), a orientação é que o agricultor comece a semeadura com híbridos de alto potencial produtivo e com ciclo precoce”, diz Weber. Entre as opções disponíveis no mercado, há os lançamentos Syn 555 VIP3 e Syn 488 VIP3, da Syngenta.

Conforme se aproxima o final da janela de plantio, explica o técnico, o produtor deve passar para os híbridos de ciclo super precoce, “para buscar altos tetos produtivos (rentabilidade) e diminuir os riscos climáticos – como geada no Sul e seca no Cerrado no momento do pendoamento e enchimento de grãos”.

De acordo com Weber, o agricultor deve estar atento a todos os fatores – daninhas, pragas e doenças – que possam diminuir a produtividade da safra. "Neste ano, pode haver uma maior pressão de doenças por causa dos efeitos do fenômeno climático La Niña. O produtor deve estar preparado para manejar a cultura", afirma.

Atraso

No Mato Grosso, o maior estado produtor de safrinha, a semeadura do milho está atrasada em mais de duas semanas nesta safra em relação ao ciclo passado. Os dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o plantio chegou a 7,15% do total, quando já deveria ter alcançado mais de 10% da área.

Segundo estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), a janela de plantio do milho segunda safra deve atrasar em 15 dias, em média, neste ano. Mesmo assim, o presidente da entidade, Alysson Paolinelli, acredita que os produtores vão arriscar o cultivo. "Nós não podemos deixar de plantar milho. O Brasil é a esperança para cobrir o déficit alimentar do mundo nos próximos anos", afirma.

O agricultor também não pode descuidar da qualidade, segundo Paolinelli. "A demanda internacional não caiu nem em preço, nem em qualidade", diz. Um dos mercados que pode receber o milho brasileiro é o México. O país consome 13 milhões de toneladas só para alimentação, segundo a Abramilho.

O levantamento de safra da Conab mais recente indica que a área ocupada pelo milho segunda safra deve ser praticamente a mesma do ano passado, em torno de 12 milhões de hectares. Outros institutos de pesquisas e consultorias (como IBGE e Safras & Mercados) estimam redução entre 5% e 7%, ficando entre 9 milhões e 10 milhões de ha.

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Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!