Professor descarta safra cheia para café em 2018

Segundo fisiologista, estimativa de produção é de 54 milhões de sacas, a depender do clima

06/10/2017 18:25:14

Atualizado:

15/10/2017 19:35:46

 

Após longo período de estiagem e altas temperaturas nas principais regiões produtoras de café do Brasil, as chuvas voltaram, mas ainda não há certezas sobre o que acontecerá nos próximos meses. A resposta da lavoura vai depender do estado vegetativo. É o que afirma José Donizete Alves, fisiologista e professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, ao site Notícias Agrícolas.

Segundo Alves, o Brasil não deve ter uma supersafra, de 60 milhões de sacas, pois a primeira florada, ocorrida em setembro, está praticamente perdida. A estimativa é de uma produção de 54 milhões de sacas para 2018, que ainda está sujeita a um longo período e o clima pode afetar de diversas maneiras.

Para o professor, apenas 20% da florada irá se transformar em fruto a ser colhido no próximo ano. O desafio do produtor brasileiro neste momento é fazer com que essas perdas sejam minimizadas, mantendo a lavoura bem nutrida e livre de pragas e doenças.

Tipos de lavoura

Alves dividiu as lavouras de café em três tipos. A primeira tem um grande nível de desfolha, em torno de 50% a 70%. Para estas, a melhor ação é a poda, pois um novo enfolhamento ocorreria apenas na segunda quinzena de outubro. Essas folhas se tornariam adultas em meados de novembro, quando concorreriam com a frutificação, o embotoamento e a floração. Essa concorrência pode zerar o nível de pagamento desta florada que se inicia. Portanto, não compensa investir neste tipo de lavoura, segundo o professor.

Há também as lavouras bem enfolhadas, mas que têm folhas murchas e um grande nível de escaldadura (queima das folhas do cafeeiro pelo excesso de sol). Estas, a partir de 10 de outubro, devem se recuperar e produzir carboidratos para garantir o pegamento da florada. No entanto, elas ainda continuam com 20% de desfolha, o que pode comprometer o pegamento.

A recomendação é ter cuidado com adubação, controle de mato, pragas e doenças. De acordo com Alves, neste tipo de lavoura vale investir, pois se a chuvas continuarem, pode haver uma boa recuperação, ainda que a queda da produção não seja revertida.

Por fim, há as lavouras irrigadas ou que foram podadas no ano passado. Com as temperaturas altas, o déficit hídrico estressou as plantas mesmo assim, já que elas transpiraram mais do que absorveram água do solo.

Veja também:

+ Mapa de Monitoramento: receba gratuitamente alertas de daninhas, pragas e doenças, como a ferrugem, na sua região

VEJA MAIS

VÍDEOS

Há diversos temas essenciais à produtividade agrícola, entre eles o controle de pragas, doenças e daninhas, a eficiência de produtos e o tratamento de sementes industrial. A Syngenta preparou uma série de vídeos sobre variados assuntos e também ouviu pessoas que trabalham no campo e especialistas. Veja ao lado um conjunto desses vídeos. Boa navegação!