Tire agora 7 dúvidas sobre o controle de percevejos na soja

A praga causa danos em todas as fases, migra entre culturas e é um dos principais problemas de quem cultiva a soja e busca a máxima produtividade

23/11/2018 10:14:11

Atualizado:

28/11/2018 11:08:20

As pragas podem causar danos de até 50% na produtividade da soja. O percevejo é uma das principais delas. “É um inimigo silencioso, que geralmente nunca chega em grandes populações, o que dificulta a identificação pelo produtor”, explica a professora e pesquisadora especialista no manejo de pragas Jurema Rattes. Ela compara a ação da praga com outros inimigos que trazem prejuízos para a lavoura. “Você identifica a lagarta pela desfolha e a mosca-branca pela alta população e a fumagina. O percevejo não, ele passa quase despercebido e por isso o monitoramento e manejo correto são tão importantes”, explica.

Quando não controlada, a praga, na fase de ninfa ou adulto, pode ser responsável por reduzir a qualidade dos grãos, a viabilidade das sementes e trazer, como consequência, aumento nos custos de produção. Todos esses são itens importantes para a redução da produtividade no final da colheita e inclusive alteram os teores de óleo e proteína.

1) Quais são os principais percevejos?

O principal inimigo da produtividade é o percevejo-marrom (Euschistus heros). Os danos dependem do momento em que ele vai agir na soja. Entre as espécies destacam-se também o percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii), o percevejo-verde (Nezara viridula), o barriga-verde (Dichelops melacanthus) e o percevejo-da-soja (Edessa meditabunda).
 

2) Quando iniciar o controle?

Com relação ao ataque de percevejos, normalmente a colonização se inicia no final da fase vegetativa e início da fase reprodutiva com a migração dos percevejos de hospedeiros alternativos e áreas vizinhas, com expressivo aumento do número de ninfas a partir da fase R3.


Entretanto, muitas vezes o produtor só observa o pico populacional próximo da colheita. Ocorre inclusive de o agricultor colher a soja e nem ficar sabendo que o dano foi provocado por aquela praga. “É muito importante fazer o controle logo no início e eliminar as primeiras gerações, pensando em reduzir a pressão, principalmente nos primeiros talhões que serão colhidos. Essa amostragem na fase inicial permite avalizar com mais clareza o índice populacional, que deve sempre ser observado”, diz Jurema.

3) Até quando esse controle deve ser feito?

O dano do percevejo está diretamente relacionado com o ciclo de evolução da soja. Na fase que vai do R3 até o enchimento de grãos, em R5, os grãos estão em formação. “Se uma ninfa fica ali sugando um grão por apenas cinco dias, ele já não vai ser colhido porque vai ficar chocho”, diz Jurema.

Quando a soja está na fase R6, com o grão formado e em fase de maturação fisiológica, o produtor pensa que já pode deixar o controle de lado. “Só que a praga nessa fase continua se alimentando e aumentando a população. No primeiro caso, do R3 ao R5, temos perda na produção. Na R6, já consideramos que é uma perda na qualidade. Por isso é importante o controle até o final, na fase R7, respeitando os períodos de aplicação de inseticidas”, explica Jurema.

4) O percevejo fica na lavoura entre a colheita da soja e o plantio do milho?

Sim, pode acontecer. O período entre a colheita da soja e a semeadura de milho safrinha tem entre dez ou mais dias. Nesse momento, duas espécies geralmente estão presentes no campo: o percevejo-barriga-verde e o percevejo-marrom.

O percevejo-barriga-verde multiplica a sua população durante o ciclo da soja. Já o percevejo-marrom se movimenta mais e nem sempre espera o milho emergir. O barriga-verde não fica exposto, ele se esconde, porque se alimenta da palha. “Por isso ele é uma praga de difícil controle para o milho e o seu manejo deve ser feito rigorosamente lá atrás, na soja, para não gerar problema depois”, diz Jurema.

5) A aplicação conjunta de fungicidas e inseticidas prejudica o controle?

A aplicação de fungicidas na fase inicial da soja é uma prática essencial para o controle da ferrugem asiática e o complexo de manchas. Se o monitoramento indicar, o manejo de inseticidas nessa fase também é importante e os produtores aproveitam para realizar as aplicações em conjunto. “A recomendação é que o produtor faça o monitoramento na fase inicial, ao aplicar o fungicida e verifique se há a presença do percevejo. Não tem? Então não coloque inseticida. Dez dias depois, é importante voltar na área e monitorar novamente para a tomada de decisão”, explica a pesquisadora.

Ela explica que esse monitoramento no período é essencial para avaliar se é importante antecipar a segunda aplicação. “É quando os residuais do inseticida estão acabando e os ovos estão eclodindo, as ninfas estão se tornando adultas e estão chegando os percevejos migratórios”, diz. A pesquisadora avalia que é possível obter até 3 a 4 sacas a mais só com a tarefa de monitorar e movimentar corretamente as aplicações.

6) Quais são as melhores tecnologias para o manejo do percevejo?

Junto com todas as boas práticas agrícolas que fazem parte do manejo integrado, é preciso entender como o percevejo se intoxica e como ele vai chegar até a dose letal no controle com os inseticidas. O controle mais importante é o de contaminação tarsal, no caminhamento dos insetos, através dos espiráculos ou do efeito de contato, se uma gota cair em cima dos percevejos. Se o percevejo estiver no dossel, na parte superior das plantas, irá receber uma quantidade maior de choque.

A Syngenta possui, em seu portfólio, o Engeo Pleno S. O produto é considerado a evolução no controle de percevejos, pois conta com a segunda geração da tecnologia Zeon, que por causa das microcápsulas, tem uma liberação controlada do ingrediente ativo além de cápsulas de tamanho reduzido, fazendo com que este cubra toda superfície da planta e melhore o efeito de choque e residual.

O controle de praticamente todas as pragas sugadoras e mastigadoras de diversas culturas e o efeito residual prolongado do produto possibilitam um controle de nível superior de ninfas e adultos. É recomendável a aplicação no início da manhã ou no final de tarde, quando as temperaturas são mais amenas e assim a chance de aumentar a proteção da sua lavoura contra o inseto é maior.

Para maior eficiência, é importante levar em conta também a tecnologia usada, o volume de calda e uma série de fatores em conjunto essenciais para o sucesso no controle. “O Engeo Pleno S adere mais facilmente às folhas e vai aderir também aos pelos, microcerdas e antenas dos percevejos que estão protegidos no dossel, no terço médio. As ninfas geralmente recebiam menos choque por estarem mais protegidas, mas com essa nova formulação é possível obter também um choque maior”, explica Jurema.

7) Aumentar doses e turbinar produtos ajuda?

A escolha pela tecnologia certa, como o Engeo Pleno S, faz toda a diferença no controle de pragas como o percevejo. “Aumentar doses, turbinar produtos ou até produzir esse inseticida para aumentar a eficácia são ações que ocorrem quando o produtor perdeu o tempo de controle, seja pela ausência de aplicações ou pelo intervalo muito grande. E quase sempre são ineficientes”, diz Jurema.

Aumentar a dose só vai onerar os custos e o inseto não vai morrer, segundo a pesquisadora. “Fazer uma mistura de tanque também pode ser prejudicial, pois mesmo agitando corretamente, talvez a formulação não seja compatível”, diz Jurema. “Só com o monitoramento e posicionamento correto de inseticidas é possível garantir que, no mínimo, duas sacas por hectare vão ser colhidas”, completa.

A pesquisadora destacou as principais ações para o manejo de percevejos durante webinar produzido pela Syngenta, em outubro. Assista na íntegra, tire as suas dúvidas e mantenha-se bem informado para o controle de uma das principais pragas da soja:
 

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