Terceira Onda: mercado valoriza café como produto artesanal

Demanda pela bebida de qualidade superior tem crescido de 10% a 15% ano

29/03/2018 16:30:50

Atualizado:

01/04/2018 19:02:48

 

A família Gabarra planta café em 440 hectares (ha) na região de Santo Antônio do Amparo, sul de Minas Gerais. "A gente está sempre atento a novas tecnologias e a formas de ter um café diferenciado", diz Pedro Gabarra, que faz parte da quinta geração de produtores. A preocupação com a qualidade começou há duas décadas, quando o pai de Pedro decidiu embarcar no mercado de cafés especiais. O estudo e o investimento estão valendo a pena. Mesmo em uma lavoura de sequeiro, sem irrigação, a produtividade vem crescendo 15% a cada safra. "Passamos de 35 sacas por hectare para 38. A nossa meta é chegar a 40" diz Gabarra.

Hoje, mais da metade do resultado da lavoura é exportado, principalmente para Japão, Austrália, China, Finlândia, Inglaterra e Estados Unidos. São cerca de 8 mil sacas de café arábica que conquistam o mundo a cada safra. O preço pago por elas é superior ao que o produtor recebe pelo café comum, que custa cerca de R$ 500 a saca de 60 quilos. "O nosso produto está em outro patamar, ele é muito mais valorizado porque é visto como bebida chique e cult", afirma. 

Essa valorização se justifica pelo aumento do consumo de cafés especiais no mundo. De acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a demanda pela bebida de qualidade superior tem crescido de 10% a 15% ano, enquanto que a procura pelo café comum (em que o Brasil é líder em produção e exportação), está na faixa de 2% de aumento. 

Café vive a Terceira Onda

O termo "Terceira Onda" foi criado nos Estados Unidos, no início dos anos 2000 e se refere ao trato dado ao produto, desde a produção na fazenda, passando pelos torrefadores até os métodos de preparo. O café é valorizado como produto artesanal e não apenas como commodity

Juan Gimenes, gerente de marketing da Nutrade, braço da Syngenta que realiza as operações de barter (troca de insumos para o produtor por sacas de café), diz que a "Terceira Onda" agora atingiu a plenitude. Como mostra a última pesquisa de tendências de consumo da National Coffee Association (NCA).

Segundo o estudo, o consumo diário na faixa entre 18 e 24 anos – a geração dos Millennials – dobrou na última década, chegando a 51%. "Para esse segmento de consumidor com exigências específicas, um expresso não é feito apenas por um barista, o produtor e o torrefador também recebem crédito”, afirma Gimenes.

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