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La Niña: o fenômeno climático pode afetar a soja esse ano?

Apesar de chegar com menos intensidade, é importante que os produtores fiquem em alerta, pois o La Niña pode provocar impactos no desenvolvimento da cultura

Publicado 18-11-2021 18:22:42

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Lavoura de soja com previsão de chuvas

Nos últimos meses, instituições meteorológicas confirmaram que o La Niña está de volta ao nosso país.

Isso significa que possíveis alterações climáticas podem ocorrer durante a sua passagem pelas regiões produtoras do Brasil, podendo afetar o desenvolvimento das lavouras no ano de 2021.

Será que o La Niña que está chegando vai causar prejuízos na safra 2021/22 de soja? Saiba mais sobre o assunto.

Afinal, o que é La Niña?

O fenômeno natural La Niña é caracterizado por temperaturas superficiais do mar mais frias do que a média encontrada nas regiões central e oriental do Oceano Pacífico e também das águas oceânicas localizadas perto do Equador.

Quando há esse resfriamento nas temperaturas médias oceânicas, a distribuição de calor e a concentração de chuvas acabam sendo afetadas, trazendo grandes períodos de estiagem e fortes ondas de calor em todo o planeta.

Entre os principais pontos de atenção que podemos verificar sobre os efeitos do La Niña no Brasil estão:

  • chuvas abundantes na Amazônia, com aumento na vazão de rios e enchentes;

  • maior precipitação pluvial no Norte e Nordeste;

  • temperaturas mais altas na região Sul, com ocorrência de secas;

  • Centro-Oeste e Sudeste com efeitos imprevisíveis, como atraso na chegada das chuvas e longos períodos de estiagem.

As condições de resfriamento dessas temperaturas médias oceânicas do Pacífico associadas a outros fatores climáticos, como a temperatura média do Oceano Atlântico, causa um La Niña de maior ou menor intensidade, podendo atrasar a incidência de chuvas para o período.

Situação favorável do Oceano Atlântico traz La Niña de menor intensidade

Apesar das grandes estiagens que o La Niña pode provocar durante sua passagem, a previsão para 2021 é de um fenômeno climático de baixa intensidade, graças às condições favoráveis do Oceano Atlântico para o período, com águas mais quentes, que amenizam a intensidade do fenômeno climático no país.

De acordo com o meteorologista da Rural Clima, Alexandre Nascimento, as chuvas continuam ocorrendo normalmente no Brasil, mesmo com o La Niña em ação desde novembro de 2021. Isso se mostra principalmente na região Sul, local que mais sente os efeitos da estiagem.

“Neste ano, por ser uma La Niña de fraca intensidade e com o Oceano Atlântico favorável a um menor impacto, é possível neutralizar um pouco do seu efeito, já que ele traz seca para o Sul e aumenta a concentração de chuvas no Centro-Norte do país. Essa condição ainda não aconteceu, já que estamos com incidência de chuvas por lá”, explica Nascimento.

Segundo o meteorologista, existe a expectativa de que entre dezembro e janeiro haja menos chuvas no Sul do país. Ainda assim, não há previsão de tempo seco para essas áreas: no Paraná e em Santa Catarina, a incidência pluviométrica manterá a normalidade.

“Para o Sudeste e o Centro-Oeste, as chuvas terão níveis normais ou acima da média, com bastante incidência na região do Mapitoba, que compreende os estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia”, reforça o especialista do Rural Clima.

A previsão é que o La Niña se despeça do Brasil no início do outono no Hemisfério Sul, em meados de março, sem deixar muitos prejuízos por aqui.

Os efeitos do La Niña por região

No Brasil, algumas regiões iniciaram o plantio da soja em setembro, logo após o período de vazio sanitário. Mesmo com uma menor intensidade do La Niña nos próximos meses, é importante que o produtor já preveja como serão os efeitos do fenômeno climático em cada região.

Centro-Oeste

Os atrasos nas chuvas trazem grandes impactos na fase de enchimento dos grãos, um dos mais importantes períodos para o desenvolvimento da cultura. No entanto, a previsão para 2021 é de um período úmido dentro da normalidade, sendo que a maior parte das lavouras já está com o plantio bem adiantado – um cenário bem diferente do que foi constatado no ano passado.

Matopiba

É comum que as chuvas comecem nesta região entre novembro e dezembro. No entanto, com o aumento da incidência pluviométrica nos meses de setembro e outubro, o plantio teve seu início antecipado em algumas áreas, como o oeste baiano. Além disso, Norte e Nordeste podem ser favorecidos pelo fenômeno climático durante o verão, pois são esperadas chuvas bastante volumosas no fim do ano, principalmente no Piauí, um dos estados mais secos do país.

Sul

Por enquanto, não há problemas com estiagem ou secas nessa região, mas é necessário atenção redobrada com o La Niña nesses locais, pois há possibilidade de chover menos nos próximos meses. 

“A única região que realmente colocamos um sinal de alerta é para o Rio Grande do Sul, mesmo o La Niña tendo previsão para ser mais fraco. Isso porque podem ocorrer chuvas em alguns pontos isolados, ao passo que outras áreas fiquem duas ou três semanas na seca, prejudicando o desenvolvimento da safra”, finaliza Alexandre Nascimento.

Vale ressaltar que a agricultura é um dos segmentos que mais sente os efeitos do La Niña, já que há uma mudança climática intensa durante alguns meses. Com a previsão de um fenômeno com efeitos mais amenos, os agricultores podem se preparar para uma safra com altos índices de produtividade.

Como se preparar para o La Niña?

Lavoura de soja com previsão de chuva

Com os bons volumes de chuvas nos últimos meses e a presença de um La Niña de baixa intensidade, a semeadura da soja avançou no país, inclusive com estimativas acima do previsto no quesito produtividade.

De acordo com o 2º relatório da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), divulgado em novembro de 2021, em relação à safra anterior, a produção de soja terá um crescimento de 3,5% na área a ser cultivada, mantendo o país como o maior produtor e exportador mundial.

Mesmo com as boas perspectivas climáticas e de produtividade, o produtor deve ter o máximo de atenção na hora de planejar um manejo assertivo, contribuindo para que a lavoura sofra o mínimo de impacto possível com as alterações no clima e para que possa atingir seu máximo potencial.

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