MAPA determina normas para a prática do refúgio em lavouras Bt

Medida é aliada do produtor na preservação da eficiência das sementes transgênicas resistentes a insetos (Bt). Veja as recomendações para a correta adoção

14/02/2019 17:37:02

Atualizado:

15/02/2019 10:09:02

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou, em dezembro de 2018, a instrução normativa (IN 59) que institui o refúgio estruturado em todo o território nacional como medida fitossanitária. Anteriormente, essa prática era apenas uma recomendação do Ministério para evitar a perda de eficiência das sementes com tecnologias de resistência a insetos (Bt). O reconhecimento de órgãos governamentais sobre a importância da adoção de refúgio em todas as lavouras Bt é um avanço no sentido de proteger a agricultura brasileira dos riscos resultantes do aparecimento de pragas resistentes às tecnologias de controle.

Entre as boas práticas agrícolas, o refúgio é a principal ferramenta de proteção às tecnologias resistência a insetos e, consequentemente, à produtividade da lavoura. Trata-se de uma área cultivada com plantas não Bt em lavouras de soja, milho, algodão ou cana Bt. Seu objetivo é produzir insetos suscetíveis às proteínas Bt que irão se acasalar com possíveis insetos resistentes, gerando novos indivíduos sensíveis à tecnologia. Dessa maneira, o refúgio contribui para a sustentabilidade.

A estratégia mantém a população de pragas vulnerável ao efeito inseticida das variedades geneticamente modificadas resistentes a insetos. Com isso, o produtor brasileiro poderá usufruir da facilidade de manejo e da proteção extra conferida por essas sementes por mais tempo.

A IN 59 determina que a extensão da área de refúgio, bem como a distância entre os locais de plantio, devem seguir as recomendações do desenvolvedor da tecnologia. Essas diretrizes são embasadas em justificativas técnicas e científicas para cada cultura.

No caso do milho, é recomendado o plantio de 10% da área com plantas não Bt. Essa área deve encontrar-se no máximo a 800 metros da cultura Bt, pois é a distância em que as mariposas voam e acasalam. Para as lavouras de soja, algodão e cana, o percentual da área de refúgio é maior – 20%, mas a distância a ser respeitada é a mesma.

Além disso, no refúgio, caso os insetos atinjam nível de dano econômico, não devem ser aplicados defensivos agrícolas à base de Bt. No milho, recomenda-se no máximo duas aplicações de inseticidas até o estágio V6 da lavoura (aproximadamente 30 dias). “Este processo, somado ao uso da biotecnologia adequada, preserva a eficiência dos híbridos Bts e mantém a rentabilidade da cultura em longo prazo”, explica Leonardo Barbosa, LATAM Corn Product Management Head da Syngenta.

Nos últimos 20 anos, graças a pesquisas e inovações em biotecnologia, o Brasil praticamente triplicou sua produção no campo, segundo dados do Grupo de Estudos e Projetos em Engenharia de Alimentos (GEPEA) da Unicamp. As plantas geneticamente modificadas propiciam mais flexibilidade e eficácia no controle de plantas daninhas e pragas, o que resulta em maior rentabilidade e otimização no uso de defensivos agrícolas. A manutenção desses benefícios, no entanto, depende da adoção de boas práticas agronômicas.

Produtores que não adotam o refúgio colocam em risco a eficiência da tecnologia e a rentabilidade das safras futuras para todo o País. “Sem o refúgio, a tendência é pela volta ao plantio convencional, com mais aplicações de inseticidas e herbicidas, já que os insetos tornam-se, ao longo do tempo, mais resistentes”, finaliza Barbosa.

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